Curitiba - Faltando dois meses para a posse dos novos prefeitos, a transição entre adversários políticos tem gerado ''atritos'' em algumas cidades. O Ministério Público (MP) do Estado tem agido preventivamente, para evitar corte em serviços essenciais à população, especialmente na área da Saúde. Reclamações em Guarapuava, por exemplo, fizeram com que o promotor de Justiça da região, Leandro Machado, agisse. ''A imprensa veiculou reportagens de diminuição nas consultas médicas e exames. Informações foram entregues direto no gabinete da promotoria, por pacientes que tiveram atendimentos desmarcados e passados para 2013'', explica.
Recomendação do MP foi encaminhada ao prefeito de Guarapuava, Fernando Ribas Carli (PP), que confirmou o fim de alguns contratos relacionados aos serviços de Saúde, mas que na opinião do político não interfeririam na qualidade dos atendimentos. ''No término do mandato, é comum que alguns contratos não sejam prorrogados e outros simplesmente terminem. Mas não é só porque está havendo transição política que os gestores públicos podem deixar de prestar os serviços essenciais. A população não pode ser prejudicada. É nisso que o MP está focado e em que eu vou trabalhar'', explica Leandro Machado, prometendo diligências para checar as informações prestadas pela prefeitura.
Pai do deputado estadual Bernardo Carli (PSDB), Fernando agendou para esta sexta-feira a primeira reunião para organizar a transição política no município. O vencedor é de outra família tradicional, César Silvestri Filho (PPS), que encaminhou parte das queixas ao MP. O mesmo procedimento adotado pelo Ministério Público em Guarapuava foi seguido, por exemplo, em Dois Vizinhos e São Miguel do Iguaçu, preventivamente. O Centro de Apoio das Promotorias de Saúde Pública, inclusive, tem encorajado a medida.
Em Jaguapitã, a 55 km de Londrina, apesar de não haver envolvimento do MP, o clima anda igualmente tensionado. A cidade é um bom exemplo de como a boataria pós-eleitoral pode ganhar proporções exageradas. Na semana passada, circularam rumores de que o atual prefeito, Luiz Carlos Trapp (PTB), não participaria da cerimônia de transferência do cargo ao político eleito, Ciro Brasil (PSDB). Para a FOLHA, o secretário municipal de Administração, Milton Campos, negou as ''fofocas'' e confirmou que a prefeitura inclusive instalará a equipe de transição solicitada pelos tucanos. ''O pedido para isso foi protocolado só no último dia 30 e temos até quinze dias para responder'', explicou, pedindo calma no processo.
Luís Augusto Silva, vereador e presidente municipal do PSDB, disse que ''atitudezinhas'' têm criado esse desconforto entre as partes. ''Eles demoraram para se posicionar sobre a transição, pois não esperavam perder o município após 12 anos'', retrucou Silva. ''Quarta-feira foi aniversário de Jaguapitã e não houve nenhuma comemoração, diferente dos anos anteriores, quando teve desfile cívico, celebrações religiosas e competições esportivas'', declarou o tucano, exemplificando o embate dos adversários políticos.

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