Transação Copel-Olvepar foi feita às pressas
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terça-feira, 03 de junho de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ex-diretores da Companhia Paranaense de Energia (Copel) confirmaram ontem, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) montada pela Assembléia Legislativa, que a compra de créditos tributários da Olvepar foi realizada de forma apressada e sem qualquer consulta preliminar ao departamento jurídico da estatal. De acordo com Cezar Antonio Bordin, ex-coordenador do departamento contábil da Copel, foi feita uma minuta para a compra dos créditos da Olvepar, empresa que trabalhava com soja e que enfrentava sérias dificuldades financeiras, no mês de maio de 2002. A minuta foi enviada para a assessoria jurídica que mandou cancelar a operação, na época de R$ 10,8 milhões.
No final de 2002 foram emitidos pareceres do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da Secretaria de Estado de Governo favoráveis à transação. O então diretor financeiro da Copel Ricardo Portugal Alves contou que no final de dezembro foi chamado pela presidência da estatal para falar sobre a necessidade de se realizar a operação com a Olvepar. O presidente Ingo Hubert teria dito que o negócio renderia de lucro para a Copel cerca de R$ 5,5 milhões. ''Fiquei surpreso que isso ocorresse durante o período de transição de governo. Pedi para deixar para o próximo governo. Fiquei sabendo depois que o contrato já estava pronto e queriam que eu assinasse. Não quis assinar porque achei que era desnecessário. Nunca imaginei que houvesse fraude'', complementou Portugal.
A transação teria sido feita secretamente por Hubert e por Bordin. Os pagamentos para a Olvepar teriam sido feitos em três parcelas de R$ 13,2 milhões. As datas foram próximas: 6, 13 e 20 de dezembro, como apurou o Ministério Público, que move ação cívil e criminal, na busca dos responsáveis. ''Não entendo por que fazer isso a toque de caixa. Os créditos só venceriam em janeiro. Por que não deixar a transação para o governo Requião?'', questionou o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), subrelator da CPI.
No contrato aparecem as assinaturas do assessor jurídico Sérgio Luis Molinari e do ex-diretor Luiz Fernando Leone Vianna. Os dois disseram aos deputados que não conheciam o contrato, até receberem das mãos de Ingo Hubert no dia 6 de dezembro, dia do primeiro pagamento. Eles alegaram que não leram o conteúdo total do contrato, porque estavam num almoço promovido pela empresa.
O coordenador da gestão financeira da Copel, André Grocheveski Neto, filmado pelo circuito interno em uma das agências do Banco do Brasil em Curitiba, ao lado de um diretor da Olvepar e do doleiro Alberto Youssef, disse também que não conhecia o teor do contrato. Como tinha a assinatura de dois diretores e do departamento jurídico, ele providenciou o pagamento que foi feito no mesmo dia, por volta das 18h30, no banco. Ele nega que soubesse quem era Youssef.
O presidente da CPI da Copel, Marcos Isfer (PPS), disse que ficou claro que a transação foi feita de forma irregular e que irá chamar Hubert para dar explicações sobre o caso.


