Transação começou a ser investigada em janeiro
Curitiba Em 6 de dezembro de 2002, a Copel assinou contrato para compra de R$ 45 milhões em créditos tributários de ICMS da empresa Olvepar, que teve falência decretada em agosto de 2002. Pareceres do conselheiro Heinz Herwig, do Tribunal de Contas do Estado, autorizavam a operação.
Os créditos sofreram deságio de 12%, e a Copel pagou R$ 39,6 milhões no negócio, que foram depositados em três parcelas iguais, nos dias 6, 13 e 20 de dezembro. Os créditos teriam sido usados para quitar dívidas da Copel junto ao governo estadual. Do total pago, R$ 3,2 milhões foram para a Rodosafra, credora da Olvepar.
Nos dias 6 e 13, o representante da Olvepar, Antônio Carlos Fioravante Pierruccini, esteve na sede administrativa da Copel com o doleiro Alberto Youssef, envolvido em vários escândalos de lavagem de dinheiro. Youssef não teria sido reconhecido pelos funcionários da Copel.
Após as reuniões dos dias 6 e 13, o funcionário da Copel, André Grochevski Neto foi a uma agência do Banco do Brasil junto com Pierruccini e Youssef, para fazer o depósito de dinheiro. No dia 13, um funcionário do Banco do Brasil reconheceu Youssef e levou o caso à gerência, que avisou a direção da Copel. O terceiro pagamento, no dia 20, foi feito mesmo assim, já que o beneficiário era a Olvepar, e não Youssef.
O Ministério Público (MP) e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) começaram a investigar a operação no final de janeiro. Pelas estimativas da PGE, a Copel teria realizado outras operações fraudulentas que teriam causado um rombo de cerca de R$ 80 milhões aos cofres estaduais.
De acordo com o MP e a PGE, os créditos da Olvepar são fictícios e a Copel não teria pago os R$ 45 milhões ao governo estadual. A baixa contábil da dívida teria sido feita por intermediação do ex-secretário de Fazenda Ingo Hubert, que era também o presidente da Copel. O MP liga a operação da Copel e Olvepar ao doleiro Alberto Youssef, que teria enviado parte do dinheiro desviado para empresas laranjas no Rio de Janeiro.





