O atrelamento da defasagem salarial de sete anos a uma suposta briga política entre a entidade e a Prefeitura é o pano de fundo da eleição que elege a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv-Ld). O processo teve início ontem e termina hoje, no fim do dia. A apuração dos votos começa à noite, na Câmara.
Três chapas estão na disputa pela preferência dos quase 4,6 mil servidores sindicalizados - dos cerca de 7,5 mil do quadro da ativa. Quem vencer, fica no comando da entidade pelos próximos três anos. Concorrem a Chapa 1 - ''Sindserv para todos'', do atual presidente do sindicato, Marcelo Urbaneja, da Educação; a Chapa 2 - ''É pra mudar'', da servidora Francismara Aparecida Lourenço, da mesma área; e a Chapa 3 - ''Reconstruir Sindserv'', presidida pela funcionária da saúde Davina de Jesus Soares. Além dela, outros quatro participantes do grupo chegaram a ser expulsos da atual direção, em 2006, mas foram reintegrados pela Justiça.
Ao todo, são 30 pontos de votação, três deles fixos - o primeiro andar da prefeitura, a Caapsml e o Sindserv. Segundo o presidente da comissão eleitoral, Sidnei Oliveira, pelo menos 2 mil servidores teriam votado ontem. Ainda conforme Oliveira, ''nenhum incidente foi registrado, foi tudo na normalidade''.
Se a votação foi tranquila, nos materiais de divulgação, rendeu a troca de farpas e acusações das Chapas 2 e 3 com a da atual diretoria. No jornal de divulgação da Chapa 2, a apresentação de propostas cedeu boa parte do espaço a depoimentos de membros do grupo e de servidores. Neles, não faltam expressões como ''interesse político-partidário'', ''compromisso político-partidário'' e ''sindicalismo de confronto'' para justificar o suposto motivo de o sindicato não ter obtido sucesso nas negociações salariais. Foram duas greves - em 2005 e 2006 -, de modo que, na do ano passado, a administração se negou a abrir negociação. A justificativa oficial, contudo, sempre foi a de alto comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com a folha de pagamento.
O material da Chapa 3, dos dissidentes, enfocou mais as propostas, mas diz, já na capa, que ''reprova as ações políticas adotadas pelo comando do sindicato''. Já o jornal da Chapa 1 defende uma postura de ''independência: (...) tem compromisso é com o servidor''. Por outro lado, o grupo destaca que, além de servidores, é composto por ''moradores'' de Londrina. ''É por isso que a Chapa 1 manterá sua disposição de fiscalizar os atos do prefeito e dos vereadores'', finaliza.
Para funcionários que votaram, ontem, o que parece interessar, de fato, é a adoção de medidas que valorizem os salários da categoria. ''Não queremos aumento, mas reposição (das perdas inflacionárias). Estamos muito desvalorizados atualmente'', comentou a professora Marina Barbosa, 49. Já a técnica em enfermagem Maria Aparecida Evangelista, 43, disse que ''de promessa o servidor está cheio. Se tem briga política, nós é que pagamos''.

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