Curitiba - Autor da lei que tornou Loanda a ‘Capital da Torneira’, o líder do PT na Assembleia Legislativa (AL), Professor Lemos, conta que protocolou mais de 60 proposições no ano passado, algumas delas de bastante relevância. A maioria, contudo, ainda não chegou ao plenário. "São projetos de tramitação mais complexa, que costumam enfrentar resistência, como o que delimita o número de alunos por sala, apresentado junto do Requião Filho (PMDB). É importante porque melhora a qualidade da educação, mas exige do governo construir novas escolas, contratar mais professores etc. Esses outros (que concedem honrarias e instituem datas comemorativas) são bem mais simples", justifica.
O petista cita ainda a proposta que acaba com as aposentadorias de viúvas de ex-governadores e a que possibilita aos cidadãos enviar projetos à AL, de autoria também de Evandro Araújo (PSC). Ambas seguem "engavetadas". "Tem ainda projetos sobre questões étnico-raciais e relativos à reforma agrária. O problema é que são polêmicos." Em relação à Loanda, Lemos argumentou se tratar de uma demanda da comunidade. "Pouca gente sabia que o município é o segundo maior polo no Brasil de fabricação de torneiras e acessórios hidráulicos. Isso mostra que a cidade tem potencial."
O deputado Tercílio Turini (PPS) dá justificativa semelhante para a mensagem incluindo no calendário oficial a Festa do Churrasco no Espeto de Bambu, a ser realizada em 28 de abril. Em 2013, ele já havia sugerido a lei que tornou São Martinho, distrito de Rolândia, a Capital dos Embutidos. "Foram solicitações das lideranças dos municípios, para que essas festividades sejam divulgadas a nível estadual, o que é bom para o comércio", explica.
O parlamentar critica, por outro lado, o fato de várias iniciativas que trariam impacto à população serem barradas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), composta majoritariamente por membros da base aliada ao governador Beto Richa (PSDB). "A gente tem o entendimento de que uma série de matérias (protocoladas pelos deputados) poderia prosperar. Esse projeto do pedagiômetro, por exemplo, nós fizemos um debate na CCJ há dois anos e foi rejeitado. Só conseguimos aprovar em dezembro de 2015, quando o (Luiz Cláudio) Romanelli (PMDB), que é líder do governo, apresentou. Seria bom para a sociedade não deixar tudo como exclusividade do Executivo", sugere. (M.F.R.)

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