Brasília - A operação do governo para fazer deslanchar a reforma tributária no Senado não só reacendeu o confronto entre as duas Casas do Congresso, como está alimentando uma velha disputa entre o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e o líder do governo, senador Aloízio Mercadante (PT-SP), ambos pré-candidatos ao governo paulista. E ainda pode colocar em lados opostos os dois ministros mais poderosos da Esplanada: José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda.
O clima de animosidade entre deputados e senadores preocupa o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), que, em conversas de bastidores, avaliou que a estratégia do governo, a respeito da qual não o consultaram, foi no mínimo inconveniente. Ontem, o Senado começou a contornar o embate criado desde que Palocci aliou-se a Mercadante e entoou o coro em favor de zerar o jogo para voltar ao texto original do governo, ignorando o trabalho dos deputados.
Como João Paulo só chegou à Câmara no fim da tarde de ontem, depois de passar por Curitiba para uma manifestação de pesar à família do deputado José Carlos Martinez (PTB-PR), morto em acidente aéreo no sábado, a reconciliação começou pelo relator da reforma na Câmara. O deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) foi chamado a conversar com Mercadante e seu sucessor na relatoria do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e aprovou a iniciativa.

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