Traições facilitaram reeleição de Renan
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007
Christiane Samarco e Rosa Costa<br>Agência Estado 
Brasília - Traições na oposição facilitaram ontem a reeleição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para mais um biênio à frente do Congresso, com uma folga de 13 votos sobre seu adversário e líder do PFL, José Agripino Maia (RN). O placar - 51 votos para o PMDB e 28 dados ao pefelista, além de um branco e um nulo - foi produto de migrações de votos inesperadas. Os aliados de Renan, que na véspera previam um placar mais apertado, procuraram administrar o favoritismo em um patamar mais baixo, temerosos das traições que fariam migrar votos para Agripino.
Ontem, porém, todos constataram que houve, sim, traição, mas a maior vítima foi o pefelista, que deveria ter obtido ao menos 30 votos - 17 de seu partido e 13 do PSDB. No PMDB, o próprio Renan admitiu publicamente ter perdido, para o adversário, os votos de três correligionários: Jarbas Vasconcelos (PE), Garibaldi Alves (RN) e Almeida Lima (SE).
Assim que foi proclamado o resultado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para Renan e deu-lhe os parabéns. Embora de agrado do Planalto, o placar final não pode ser interpretado como vitória do governo e sim fruto dos arranjos internos. ''Qualquer candidato da base que não fosse o Renan perderia esta eleição'', resumiu o senador tucano Sérgio Guerra (PE), cabo eleitoral de José Agripino, convencido de que a vitória foi pessoal.
Em seu discurso aos eleitores, Renan voltou a cobrar as reformas tributária e política, com fidelidade partidária. Disse que a ''fadiga da legislação política eleitoral'' acaba desgastando o Congresso, que não pode mais pagar esta conta. ''No Brasil, o que morreu não foi a ética. O que apodreceu foi o nosso sistema político''. Na mesma linha, Agripino disse que sua candidatura foi positiva porque ajudou a acabar com a postura passiva do Congresso em relação ao governo, sobretudo no que se refere ao abuso na edição de medidas provisórias.


