Traiano pede sensibilidade aos servidores sobre data-base
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terça-feira, 14 de maio de 2013
José Lazaro Jr. <br>Reportagem Local 
Curitiba - O deputado estadual Ademar Traiano (PSDB) apelou ontem para a ''sensibilidade'' dos servidores públicos. Diante da ameaça de protestos por conta do parcelamento da data-base, ele pediu ''compreensão com o momento que o Estado está vivendo''. Neste ano, o Paraná dará aos servidores apenas a reposição da inflação no período (6,49%), dividida em duas parcelas iguais. A reposição da inflação custará R$ 68,7 milhões por mês aos cofres do Estado.
Na defesa da gestão Beto Richa (PSDB), Traiano argumenta que o porcentual ''é maior do que o aplicado em outros Estados, como Alagoas (5,83%), Bahia (5,84%) e Mato Grosso (6,17%)''. Também diz que o porcentual é maior que o valor concedido ano passado (5,1%). ''O pagamento será feito em duas parcelas para não comprometer as finanças do Estado e por limitações da legislação. Se um secretário de Estado pedir exoneração, o governo não pode contratar ninguém para por no lugar dele'', diz o político.
Para o economista Sandro Dias, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a dificuldade para o governo pagar integralmente a data-base se justifica se for um problema de ''fluxo de caixa'' (quando há o dinheiro, mas ele não está disponível na hora certa), mas não de arrecadação. ''A receita corrente dos primeiros quatro meses deste ano cresceu 12,76%. São R$ 11,4 bilhões em 2013 contra R$ 10,1 bilhões no ano passado'', revela Dias.
O economista diz que os dados disponíveis no Portal de Transparência do governo do Paraná permitem antecipar somente a receita corrente líquida do primeiro bimestre de 2013, mas que esse dado já demonstra um valor positivo, com crescimento de 14,62%. ''É um cenário positivo para a economia do Estado, ajudado pela inflação e pela retomada do crescimento da economia nacional. Ano passado o PIB cresceu 1%, mas a projeção para esse ano é de 3%. Isso reflete no Paraná'', aponta. ''Só que não conseguimos acompanhar o fluxo de caixa do Estado, para saber quando esse dinheiro entra. Os dados não ficam disponíveis'', analisa Dias.
Em paralelo ao aumento da arrecadação, o economista do Dieese coloca que houve aumento nas despesas. ''Houve aumento na contratação de comissionados, por exemplo. Um levantamento do Dieese mostra que, em fevereiro de 2010, 3.848 trabalhavam como comissionados no governo, comprometendo R$ 8,8 milhões por mês da folha de pagamento. Em fevereiro de 2013, o número de comissionados subiu 11%, com 4.278 mil pessoas contratadas sob esse regime. E o pagamento dado a elas subiu 103%, pois passou a comprometer R$ 17,9 milhões'', coloca.


