Ademar Traiano conseguiu acomodar dois partidos controlados pelo deputado estadual licenciado Ratinho Jr. (PSD), mais votado no pleito de 2014
Ademar Traiano conseguiu acomodar dois partidos controlados pelo deputado estadual licenciado Ratinho Jr. (PSD), mais votado no pleito de 2014 | Foto: Sandro Nascimento/Alep
Imagem ilustrativa da imagem Traiano exclui oposição e inclui bloco de Ratinho na Mesa da AL



Curitiba – O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), deve ser reconduzido ao cargo na próxima segunda-feira (17), data em que está marcada a eleição da Mesa Executiva para o biênio 2017-2018. Embora o prazo de inscrição de chapas só se encerre hoje, às 18 horas, a "Parlamento Forte", do tucano, tem tudo para ser a única na disputa. Dos atuais nove integrantes da gestão, dois serão trocados. Saem Ney Leprevost (PSD) e Ademir Bier (PMDB) e entram Guto Silva (PSD) e Wilmar Reichembach (PSC).
Com isso, Traiano consegue acomodar dois partidos controlados pelo deputado estadual licenciado Ratinho Jr. (PSD), mais votado no pleito de 2014, evitando um eventual retorno. O bloco informal do hoje secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano conta com 14 parlamentares, sendo oito do PSD e seis do PSC. Na nova composição, Guto passaria a ser o primeiro vice-presidente, no lugar de Jonas Guimarães (PSB), que ocuparia a segunda secretaria, em substituição a Bier. A votação acontece às 14h30, horário da sessão plenária, por meio do painel eletrônico.
Já Reichembach entraria na terceira secretaria. O "dono" do posto, Adelino Ribeiro (PSL), migraria para a quinta secretaria, que hoje é de Leprevost. Considerado "independente", o político do PSD é candidato a prefeito de Curitiba – ele enfrentará Rafael Greca (PMN) no segundo turno. O partido que mais perderá com a mudança é o PMDB, que viu sua bancada encolher após as eleições de 2014 e a chamada janela partidária – de oito, passou a quatro integrantes. Assim, a Mesa ficaria sem nenhum membro da oposição ao governador Beto Richa (PSDB).
"As alterações foram todas elas acordadas com as lideranças partidárias e blocos. Portanto, é uma chapa de consenso", afirmou o presidente. Segundo ele, a ideia é dar continuidade aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos. "O Brasil hoje clama por mudanças radicais, principalmente em relação a poderes. Nós temos dado o exemplo já. Em muitas oportunidades devolvemos dinheiro para o governo do Estado. Vamos continuar nessa linha, procurando fazer as economias necessárias sem esbanjar dinheiro público, porque a opinião pública hoje não admite que o governante faça exageros", disse.
Questionado se seguiria o exemplo de Beto, que propôs suspender o reajuste do funcionalismo, o tucano desconversou. "Não tomei nenhuma decisão ainda. Primeiro estou cuidando da reeleição e depois, no momento oportuno, vou sentar com a Mesa Executiva, com os deputados, e vamos discutir esse processo." Ele enfatizou, por outro lado, a boa relação que tem mantido com os servidores. "Eu sinto isso nos corredores da Casa. Todos os dias ouço manifestação de apreço dos servidores. É lógico que não seria diferente, não vai mudar a minha postura em ser reeleito."
Traiano voltou a descartar a realização de um concurso público, para substituir cargos comissionados, como chegou a anunciar logo que tomou posse. "Já dei essa informação. Nós abrimos um plano de avanço e os servidores não se aposentaram. Foi um número muito pequeno. Eu não posso inchar a Assembleia abrindo concurso público apenas para satisfazer aqueles que todos os dias buscam essa alternativa. Eu só farei isso se nós tivermos um grande número de funcionários se aposentando. Mas a legislação hoje permite que o servidor público se aposente aos 75 anos. Portanto, eu tenho muita dificuldade", argumentou.

SEM OPOSIÇÃO
Com apenas sete membros, dos 54 deputados estaduais, a oposição não teria nem número suficiente para montar uma chapa, que precisa de nove integrantes. "Infelizmente, são os ossos do ofício. Nós estamos sendo excluídos da Mesa. Deve ser uma satisfação pessoal do governador Beto Richa pela posição que o PMDB adotou aqui na Casa", criticou Nereu Moura (PMDB). Ele contou que a bancada irá se reunir na segunda-feira, antes da votação, para analisar como proceder – há a possibilidade de todos se absterem. "O que está acontecendo aqui na Casa é o que está acontecendo no Paraná: a discriminação. Na Assembleia sempre a segunda secretaria foi reservada para a oposição, mesmo na época da ditadura. E agora foi tirada e dada para deputado da base do governo. É muito ruim não para nós, que não estamos atrás de cargos, mas para a democracia", completou.

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