Curitiba – Responsável por definir a ordem do dia, isto é, a pauta das sessões plenárias, o presidente reeleito da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), contou que considera títulos de utilidade pública relevantes, por atenderem a demandas dos municípios, entretanto, criticou o fato de demais mensagens de menor relevância dominarem as discussões na Casa. "Tenho visão bem contrária quanto às datas comemorativas. Minha opinião é que o parlamentar deveria ter mais cautela em relação a isso."
Por outro lado, o tucano argumentou que, como chefe de um poder, não pode cercear o direito dos 54 deputados estaduais de protocolarem as matérias que julgarem relevantes. "[Com os títulos] você está servindo a entidades representativas que atuam em várias áreas. Agora, essa coisa de fazer projeto para determinar o dia de ‘sei lá o que’, sou muito contra. Creio que pega mal para o próprio parlamentar. Mas não tem como mudar", afirmou.
Para o cientista político Marcio Carlomagno, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), embora de maneira geral não sejam bem recebidas pelos cidadãos, proposições desse tipo são mesmo do jogo democrático. "O representante ‘x’ é eleito por determinada região ou por um segmento, como o religioso, e tenta de alguma forma dar retorno ao seu eleitorado. Às vezes, faz isso de forma mais objetiva, com projetos concretos, e outras de forma mais simbólica. Não são projetos que vão mexer com o governo ou a sociedade, mas fazem parte", comentou.
O professor lembrou que a situação acontece em todos os níveis – federal, estadual e municipal – e disse ainda não caber a ele definir o que deve ou não ser debatido no Legislativo. "Claro que não é saudável que seja a única pauta. E se você vai pro nível municipal, isso muitas vezes ocorre. Mas existindo também uma discussão substantiva de políticas públicas e outros temas, é legítimo (…) Tem que ver também o tempo que cada coisa consome. Apesar do volume grande [de mensagens de impacto reduzido], em muitos casos já existe um modelo pré-pronto, o deputado só preenche os dados e ninguém vai se opor." (M.F.R.)

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