Curitiba - O pedido dos vereadores de Londrina será considerado pela base aliada, afirmou para a FOLHA o líder do governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB). ''Só que é uma decisão de governo, eu vou ter que conversar com o governador Beto Richa'', declarou o deputado estadual. Na entrevista, Traiano manteve a mesma postura receptiva ao pleito de Londrina, já demonstrada na última terça-feira, quando chegou na AL o projeto que dá isenção de impostos estaduais ao combustível usado no transporte coletivo. Amanhã o projeto deve chegar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde começa a ser avaliado.
Na semana passada Tercílio Turini (PPS) procurou Traiano para defender mudanças no projeto. O deputado estadual de Londrina havia conversado com o prefeito da cidade, Alexandre Kireeff (PSD), e elaborado uma emenda para atender o pleito do município. Se a medida for aprovada pelos deputados estaduais do jeito que foi enviada por Beto Richa à AL, ela só valeria para a integração com preço único entre municípios de uma mesma região metropolitana, excluindo Londrina e todo o interior do Paraná. Somente a capital cumpre esses critérios atualmente.
Após ouvir Turini, Traiano afirmou que considera especial o caso de Londrina, onde há integração entre as áreas rural e urbana (oito distritos) e cobrança unificada. Para o líder do governo, trata-se de uma situação ''peculiar'', cuja solução ele condiciona ao governador. ''Eu tenho que ponderar, conversar com o governador Beto Richa'', reiterou Traiano. Ele disse que aguarda os dois requerimentos aprovados pela Câmara Municipal de Londrina, de Elza Correia (PMDB) e Professor Fabinho (PPS), para analisar os argumentos levantados pelos vereadores.

Trabalho político
''Desde o começo eu percebi que o Traiano entendeu que a isenção é importante para Londrina. Nós chegamos a falar com o chefe de gabinete do Beto Richa, Deonilson Roldo, que ficou de levar a questão para o governador. O trabalho político está sendo feito'', assegurou Turini. O deputado estadual considerou ''muito oportuna'' a manifestação dos vereadores de Londrina, que na opinião dele ''expressam a vontade da população e representam segmentos importantes da sociedade''. ''A manifestação do prefeito Kireeff também é importante para sensibilizar os deputados estaduais'', afirma Turini.
Os requerimentos foram aprovados na Câmara Municipal semana passada e pedem que o governo do Paraná e os deputados estaduais avaliem ''com carinho'' a situação da cidade. A isenção do ICMS no diesel poderia baixar em até R$ 0,06 a tarifa cobrada. Hoje o transporte coletivo no município já é subsidiado pela própria prefeitura, que mantém a passagem (R$ 2,45) dez centavos abaixo do preço real (tarifa técnica de R$ 2,55). Os vereadores de Curitiba também usaram requerimentos para interferir no preço da tarifa. Além de pedir ao governo do Paraná que mantenha o subsídio milionário para o transporte da Capital, enviaram requerimentos ao governo federal pedindo corte em impostos e ao próprio município, pedindo que o transporte fosse desonerado do Imposto Sobre Serviços (ISS).

'Desintegração'
A passagem subiu 9,6% em Curitiba na quinta-feira passada, indo de R$ 2,60 para R$ 2,85. Apesar do aumento, ela ainda permanece bem abaixo da tarifa técnica necessária para manter a integração com os municípios da região metropolitana, calculada em R$ 3,05. O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), adversário político de Beto Richa, reclama que o fim do subsídio estadual, em maio, tem ''razões políticas'' e ameaça ''desintegrar'' a rede metropolitana de transporte coletivo. Ele venceu a eleição da capital justamente contra Ratinho Júnior (PSC), nomeado por Beto para a Secretaria de Estado de Urbanismo (Sedu), cuja competência abrange a gestão da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec).
Por meio da Comec, Ratinho Júnior tem dito que discorda do cálculo apresentado pela Prefeitura de Curitiba. Ele subiu a passagem da Rede Integrada de Transporte (RIT) na mesma data que Curitiba, mas reclamou da obrigação. ''Cumprimos as formalidades e homologamos o reajuste da rede integrada, mas questionamos a divisão dos custos apresentados. A Prefeitura de Curitiba informa que 80% das despesas são relativas às linhas metropolitanas. Mas nós não sabemos em que está baseada esta repartição. É o que precisamos saber'', diz. A briga política entre os políticos da capital pode prejudicar o pleito de cidades do interior, como Londrina, pois diante dessas adversidades Beto Richa tem repetido que o projeto original ''é um estímulo para a integração'', afirma o governador.
''Eles precisam entender que atender os outros municípios do Paraná é um ganho político. O subsídio ao transporte não pode ficar só em Curitiba, tem que envolver as grandes cidades como Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa. No nosso caso, não se trata só dos seis centavos a menos na tarifa, mas da atividade que uma tarifa barata gera na cidade'', opina Tercílio Turini.

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