Traiano cancela concurso e surpreende deputados
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terça-feira, 19 de julho de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), voltou atrás da decisão de realizar um concurso público na Casa. Prometida logo que ele tomou posse como chefe do parlamento, em fevereiro de 2015, e anunciada oficialmente em cerimônia seis meses depois, no Plenarinho, a medida tinha como objetivo contratar 100 servidores efetivos, que substituiriam outros, de áreas equivalentes. Na época, o tucano contou que lançaria o edital já na sequência, para realizar as provas no primeiro semestre deste ano, o que não aconteceu. Seriam dez vagas de nível superior e uma de nível médio, com salários entre R$ 3,2 mil e R$ 9 mil.
"Não será efetivado porque eu não sou irresponsável de fazer um concurso apenas para satisfazer os concurseiros. Nós criamos aqui um programa de avanços e progressões para os funcionários. Prevíamos que teríamos em torno de 100 funcionários que estariam se aposentando. Mas hoje estamos na Casa com dez. Portanto, não vou abrir concurso enquanto não acontecerem as aposentadorias. Não será a meu bel-prazer que vou inflar a Assembleia", declarou ontem.
Traiano disse ainda que assume a responsabilidade pelo ato. "A condição sempre foi essa, de criarmos o plano de avanço. Criamos, os funcionários estão se dando por satisfeitos, não querem sair, há uma legislação federal que hoje também protege o servidor; ele pode ficar até os 75 anos de idade, e eu não tenho como mandar ninguém embora", justificou. A AL possui atualmente 1,7 mil colaboradores, somando os dos gabinetes dos 54 deputados, os efetivos (em torno de 400) e os comissionados. O último certame aconteceu em 1995.
As afirmações do presidente pegaram muitos parlamentares de surpresa. Vice-líder do governo, Hussein Bakri (PSD) falou que não foi informado dos motivos. "Vou fazer uma visita ao presidente hoje (ontem) ainda e ao primeiro secretário (Plauto Miró, do DEM), para perguntar. Não é bom. Realmente é importante que a Casa tome providências. E é necessário esse concurso." Apesar de também não saber do cancelamento, Elio Rusch (DEM) preferiu se abster. "Isso é uma questão administrativa da própria Mesa", desconversou. Já Paranhos (PSC), que se coloca como independente, elogiou a decisão. "Se o presidente da Casa diz que não vai fazer, é porque tem algum motivo, talvez alguma contenção de despesa, olhando para o momento que vive o País. Foi uma medida bastante inteligente."
Na oposição, contudo, as declarações foram enfáticas. "Deve ter alguma coisa com o dinheiro que a Assembleia finge que devolve no fim de ano para o caixa único. Ninguém é obrigado a dar a palavra. Mas palavra dada é palavra cumprida", criticou o líder da bancada, Requião Filho (PMDB). "Infelizmente, damos voltas e acabamos sempre no mesmo ponto: que não é viável, que alguns deputados não gostariam de ter figuras estranhas nos seus gabinetes... Enquanto isso, ficamos sem engenheiros, advogados, técnicos na área de informática, pessoas que são importantes - sem tirar nenhum mérito daqueles que estão aqui -, mas que poderiam construir uma carreira independente de quem esteja na Mesa Diretora", completou Tadeu Veneri (PT).


