Traficantes ''caem'' em Cumbica
Agência Estado
De São Paulo
Policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) prenderam, na sexta-feira, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos-SP), 11 pessoas que tentavam embarcar para Portugal com 34 quilos de cocaína. Segundo o delegado responsável pela investigação, Fábio Dal Mas, foi a maior prisão de traficantes já feita no Brasil em um único avião. Isso mostra que a ousadia dos traficantes vem aumentando, afirmou Dal Mas.
Os detidos embarcariam no vôo 1.568 da empresa Tap Air Portugal, com destino a Lisboa, às 19h05. Oito deles tinham pacotes de cocaína presos ao corpo com fita adesiva e meias elásticas. Os outros três, que coordenavam essa ação do tráfico, também foram presos. Segundo o delegado, foi necessário mais de um mês de investigações para que a operação fosse desmontada. Dez policiais participaram da ação.
Foram detidos Valdinei Aparecido de Oliveira, de 22 anos; Valdeir Cazuza da Silva, 36; Cleodir César da Roca, 24; Valdemir de Souza Santos, 42; Denise Ferreira da Silva, 20; Creuza Rosa Sandim, 30; Vanderlei Cazuza da Silva, 32; Antônio Livino de Paula, 31; Olívia Lucas de Freitas, 45; Alisson Maximiano, 21; e Antônio Alves dos Santos, 32. A maioria não tem antecedentes criminais.
Entre os presos, havia profissionais como cabeleireiro, empregada doméstica, manicure e vendedor, enquanto outros eram desempregados. Segundo policiais, os traficantes, seriam laranjas de um esquema maior. Por inexperiência ou ousadia, foram facilmente localizados no aeroporto: todos trajavam o mesmo tipo de roupa homens com ternos bem folgados e mulheres com vestidos compridos. Todas as roupas e malas eram novas e os 11 chegaram ao check-in praticamente juntos, coisa incomum em ações planejadas do narcotráfico.
A maior parte do grupo morava em Santo André, no ABC (SP). Muitos esconderam das famílias s ua participação no tráfico. Para justificar a ausência, disseram que iriam viajar para o interior do Estado e não para Portugal.
Conforme a Polícia, Lisboa serve atualmente como porta de entrada para o mercado europeu das drogas produzidas na América Latina. Segundo policiais, o quilo de cocaína, que custa U$ 2 mil na Bolívia, chega a ser vendida por até U$ 30 mil na Europa. Portugal, pela facilidade do idioma e por ter uma vigilância reduzida em comparação com outros países europeus, tem sido escolhida por traficantes brasileiros, que se utilizam de mulas, geralmente desempregados ou trabalhadores da economia informal.





