Traficante quer entregar políticos à CPI
Hugo Marques
Agência Estado
De Brasília
O traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, responsável por cerca de 40% do fornecimento de cocaína e de maconha para o Rio, informou à CPI do Narcotráfico que está disposto a entregar os nomes de políticos e militares que estariam lhe dando proteção para distribuir drogas.
A CPI já está acertando os detalhes do depoimento de Fernandinho no Rio, ainda esta semana, com seus advogados. Segundo os parlamentares da CPI, as primeiras informações demonstram que o depoimento do traficante poderá desvendar um dos maiores esquemas do narcotráfico em todo o mundo, que envolve compra e distribuição de droga, contrabando de armas e lavagem de dinheiro.
Até agora, a versão oficial era de que Fernandinho, que está solto, conseguia escapulir dos cercos policiais devido a suborno que pagava a policiais. Fernandinho já antecipou à CPI que na verdade recebe proteção de políticos brasileiros com mandato e de militares. O traficante disse ainda que seu esquema envolve pessoas de colarinho da sociedade carioca.
Fernandinho vem tentando conseguir perdão para os crimes que lhe são imputados e a CPI negocia redução da pena. Ele estaria disposto a denunciar os comparsas porque seu esquema teria começado a ruir com as informações que vêm sendo levantadas pela CPI.
Os parlamentares da CPI acreditam que o maior traficante carioca, por cuidar diretamente do esquema de compra e distribuição de drogas, possa contribuir muito para comprovar a tese de que a quadrilha de narcotraficantes brasileiros é toda interligada. Os parlamentares lembram que há documentos comprovando a ligação do esquema da quadrilha do ex-deputado Hildebrando Pascoal com a quadrilha que atua no Piauí.
A CPI quer chegar agora aos chefes do narcotráfico brasileiro, os financistas, grandes beneficiários do lucro do narcotráfico, mas que nunca aparecem nas páginas policiais. Pelas informações levantadas até agora, a grande rede de narcotraficantes envolve muita gente em São Paulo.
A CPI acredita que será possível fazer um organograma mostrando pessoas famosas que estariam contribuindo diretamente com o narcotráfico. Nas investigações já apareceu o nome de um legista, que teria adulterado laudos para mudar o curso de investigações que levariam à identificação de pessoas ligadas ao tráfico.
A evidência da participação deste legista no esquema deverá ficar clara, segundo parlamentares, a partir do depoimento à CPI, nos próximos dias, de um ex-funcionário do Banco do Brasil no Maranhão.
Este funcionário, por ser evangélico, recusou-se a aprovar um empréstimo para um deputado envolvido com o tráfico e viu o filho desaparecer alguns dias depois. O menino foi achado morto e um dentista confirmou tratar-se do filho do ex-funcionário do BB.
Alguns dias depois da divulgação do laudo que confirmou ser realmente o garoto, o tal legista, mesmo sem ser chamado, pegou o caso e realizou outro laudo, supostamente adulterado, demonstrando que o corpo não era do garoto. Ele pode ter entrado no caso somente para desvincular a morte do garoto com a recusa de seu pai em não dar o empréstimo para o deputado.





