Grande parte da população paranaense não tem conhecimento do trabalho dos deputados e não sabe qual a finalidade da Assembléia Legislativa. Mas não se pode atribuir a falta de interesse e o desconhecimento somente à população, pois durante anos a Casa, deliberadamente, adotou uma política do silêncio, sem se empenhar em mostrar e divulgar as discussões, projetos e leis aprovadas pelos parlamentares. Uma verdadeira caixa-preta.
Para contribuir com a discussão, permitir maior acesso do leitor às informações e dar mais transparência ao trabalho dos deputados (uma promessa, aliás, do novo presidente da Casa, Hermas Brandão – PTB), a Folha e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) estabeleceram uma parceria.
O acordo prevê o acompanhamento diário do trabalho dos parlamentares, de sua presença durante as sessões plenárias, projetos de interesse social apresentados, posição em votações polêmicas, pautas votadas, entre outros. O trabalho será coordenado pelo professor de Ciências Sociais Ricardo de Oliveira e pelo coordenador do curso de Comunicação Social, Mário Messagi Jr. Os resultados da pesquisa serão divulgados mensalmente pela Folha.
Oliveira, mestre em Planejamento e Desenvolvimento Urbano e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas (Unicamp), acompanha há três anos as atividades da Assembléia paranaense. Ele afirma que a parceria entre um veículo de comunicação e a universidade é de extremo interesse para a sociedade e também para o meio acadêmico, que ganha um aliado para divulgar os resultados de suas pesquisas.
‘‘A comunidade paranaense também será beneficiada, porque vai poder acompanhar e conhecer de perto o que fazem os deputados’’, afirmou Oliveira. ‘‘Há uma grande desinformação tanto na imprensa quanto na população sobre a forma de operação da Assembléia’’, avalia. Segundo ele, ‘‘esse desconhecimento se deve em grande parte à falta de interesse dos meios de comunicação de massa, que nunca deram o devido espaço para divulgar as atividades do Legislativo.’’
A própria estrutura da Casa contribui para aumentar esse desconhecimento. Em plena era da Internet, a informatização ainda não chegou aos seus arquivos e ao que restou deles. Constantes incêndios destruíram documentos sobre a memória do legislativo paranaense e hoje somente há dados disponíveis dos últimos dois anos. Todos os registros de votações e projetos ainda são feitos manualmente. Uma situação rara quando comparada à situação de outros legislativos, onde até mesmo o controle das votações é feito de forma eletrônica.
Para o professor Oliveira, isso prova que sempre houve interesse em divulgar o menos possível o trabalho feito pelos parlamentares.‘‘Durante muitos anos se adotou a política do silêncio, de não repassar as informações à sociedade e de não tornar públicas as decisões da Assembléia’’. O coordenador do Curso de Comunicação Social, Mário Messagi Jr., tem opinião semelhante e ressalta que a parceria entre a Universidade e a Folha pode contribuir para mudar isso e tornar mais transparente o Poder Legislativo.

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