Trabalhistas já são os segundos na Assembléia
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segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Curitiba 
Os partidos que dão sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL), no Paraná, estão aproveitando os últimos dias que a legislação eleitoral permite trocas partidárias para engordar suas siglas com novas filiações. PFL, PTB, PST e PPB formalizaram ontem novas adesões.
A dança atinge em cheio o PSDB do presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias. A bancada estadual, que possuia nove deputados, fica agora com apenas três. Ricardo Chab, Beto Richa e Cesar Silvestri decidiram se somar a Albanor Gomes e Carlos Simões e aderir ao PTB, que passa a ser a segunda maior bancada, com 11 deputados. Chab e Beto assinam ficha amanhã, a partir das 14 horas em Curitiba.
O PFL também aumentou a margem de vantagem sobre as outras siglas na Assembléia. A filiação-surpresa do deputado Cleiton Crisóstomo, forçado a abandonar o PMDB sob a acusação de infidelidade e vetado pela bancada estadual do PPB por manobra do deputado federal Ricardo Barros, garante a hegemonia pefelista com 18 parlamentares.
O PPB conseguiu arrancar um sim do deputado Edson Silva Lino, ex-tucano. Finalmente, ele assinou ficha ontem durante um almoço.
O PST, novo braço político de Lerner no Paraná, mudou o comando. O ex-presidente do PDT José Francisco Pereira assumiu o partido numa cerimônia simples, às 11 horas, em Curitiba. A direção nacional participou do evento e tinha agendada uma conversa com Lerner à tarde. A sigla, que também conta com a participação do ex-deputado Paulo Maia, servirá para dar uma roupagem de centro-esquerda ao chapão PFL-PTB.
O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem em Curitiba que a tentativa de aproximação política costurada pelo presidente da Telepar ex-governador Álvaro Dias (PSDB) com o senador Roberto Requião (PMDB), objetivando a obstrução ao seu projeto político da reeleição em 98, não tende a evoluir. É um boato que as próprias notícias estão desmentindo. Quem está querendo estimular isso são aqueles que sabem que não há condições desse diálogo (entre Requião e Álvaro), acusou o governador.
Segundo Lerner, a aliança PMDB e PSDB é um problema dos dois. Não posso me preocupar com esse tipo de coisa. Estou voltado para o meu governo, afirmou. As críticas à tentativa frustrada de composição entre os peemedebistas e tucanos - Requião não aceita diminuir as críticas ao governo FHC e Álvaro não assume posição alguma, articulando somente nos bastidores - foram acompanhadas de declarações de namoro ao PSDB, sigla do presidente Fernando Henrique Cardoso, que Lerner tenta a todo custo inclui-la na aliança PTB-PFL-PST-PSB que se esboça.
Aqui no Paraná sempre foi uma tradição a união do meu grupo político com o PSDB. Eu sempre consegui estabelecer aliança com os tucanos. Tenho mais história de aliança com o PSDB que os novos tucanos que chegaram, disse Lerner numa referência aos neotucanos filiados ao partido após a entrada de Álvaro Dias, em meados de 96. (L.D.)


