Rio de Janeiro - Os coordenadores da campanha do candidato da Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) à Presidência, Ciro Gomes, programaram, para este mês, dois compromissos do candidato com os líderes evangélicos do Rio de Janeiro. Os colaboradores de Ciro, que é católico, pretendem mostrar a amplitude não só partidária, mas também religiosa, da aliança em torno do candidato trabalhista. Até agora, só Anthony Garotinho (PDB), presbiteriano, tem centrado sua campanha no apoio de importantes grupos evangélicos. Os evangélicos somam 26 milhões de fiéis no Brasil, equivalente a 15,4% da população, segundo o Censo 2000. Há dez anos, eram apenas 9,1%.
Até o final do mês, Ciro deverá participar do lançamento de uma publicação intitulada ''O pensamento de Ciro Gomes à luz da Bíblia''. A organização é de Ednaldo Carvalho, coordenador do Movimento Evangélico Popular Socialista, um braço do PPS. No dia 26 de agosto, Ciro estará em um jantar de evangélicos de apoio aos candidatos da frente ao governo do Rio, Jorge Roberto Silveira e ao Senado, Leonel Brizola. O jantar, em uma churrascaria da Tijuca (zona norte) está sendo organizado por um antigo militante pedetista, o advogado Carlos Alberto de Brito, presidente da Associação dos Advogados Evangélicos do Brasil.
Segundo alguns evangélicos que apóiam Ciro Gomes, vários fiéis partidários da candidatura Garotinho têm demonstrando simpatia pelo candidato trabalhista, que está isolado em segundo nas pesquisas eleitorais, enquanto o socialista ocupa o quarto lugar.
O presidente da principal instituição de apoio a Garotinho, a Associação dos Homens do Evangelho Pleno (Adhonep), pastor Custódio Rangel, no entanto, nega que os empresários evangélicos estejam trocando de candidato. ''O Ciro é um bom candidato, pode ter evangélico votando nele, mas a massa está com Garotinho. Decidimos, em uma reunião em São Paulo, que todas as lideranças evangélicas do Brasil apoiariam Garotinho. É uma ordem. Tem de cumprir'', disse o pastor.
''Antes de ser evangélico, nasce o cidadão e ele tem que ter parâmetros para escolher em quem votar. Até pouco tempo atrás, havia muitos evangélicos que pensavam só em ir vivendo até Jesus voltar, sem lembrar a cidadania'', diz Ednaldo Carvalho, que garante não pedir votos para Ciro na futura cartilha, mas traçar um paralelo entre artigos do candidato voltados para a área social e trechos da Bíblia, ''mostrando a linguagem do sentimento em vez do economês.''

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