Trabalhismo nasceu com Vargas
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 1996
Sucursal de Curitiba 
A divisão entre os trabalhistas ocorreu em 1979, durante a redemocratização, quando os líderes políticos exilados retornavam ao País. Ao desembarcar no Brasil, Leonel Brizola trazia toda a papelada para refundar o PTB criado por Getúlio Vargas nos anos 30. Brizola havia reunido os trabalhistas em Lisboa em 1978 e esperava tê-los unidos nas eleições de 1982. Uma manobra do governo federal, inspirada pelo então chefe do Gabinete Civil, o general Golbery do Couto e Silva, acabou dividindo os herdeiros do trabalhismo de Getúlio.
Ainda em 1979, o governo decidiu alterar as regras para fundação de partidos. Segundo informações extra-oficiais, o governo tinha interesse em impedir que Brizola ficasse com a legenda PTB. Segundo esta mesma versão, os militares no poder teriam comunicado antecipadamente as novas regras a Ivete Vargas, que acabou registrando a legenda primeiro.
Brizola chegou a ir à Justiça pelo direito de ficar com a legenda PTB, mas foi derrotado e chorou publicamente por causa da derrota. O episódio levou Carlos Drummond de Andrade a escrever um poema em que dizia já ter visto homens chorar por perder muita coisa, mas nunca por perder três letras.
Sem o PTB, Brizola fundou o PDT em maio de 1980. Dois anos mais tarde, elegeu-se governador do Rio de Janeiro pela nova legenda. O atual presidente do PTB é o senador paranaense José Eduardo de Andrade Vieira.(L.L.)


