Curitiba - O reajuste de 6,9% definido para o salário mínimo regional não agradou totalmente os trabalhadores. Com o aumento, o piso tem valores que variam de R$ 708,74 a R$ 817,78. ''Não era o que a gente esperava'', disse a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Curitiba e Região Metropolitana, Caroline Michelisa.
Ela lembrou que, desde 2006, o mínimo regional tem reajustes de 14% a 15% ao ano. Com o aumento, o salário das domésticas passa de R$ 688,50 a R$ 736. ''Nós esperávamos 14% de aumento'', disse. Apesar do reajuste do valor do salário, ela contou que esse não é o maior fator para a elevação da informalidade, mas a questão do vínculo empregatício, porque muitos patrões preferem não fazer o registro em carteira.
Segundo ela, no Brasil, há 8,7 milhões de trabalhadores domésticos e 400 mil no Paraná. Tanto no País como no Estado, 70% não atuam com carteira assinada. A lei prevê que essa categoria tem direito a férias, 13º salário, INSS, auxílio-transporte e alimentação. O FGTS é facultativo. O trabalhador deve ser registrado a partir do momento que atua três vezes por semana na mesma casa com todos os direitos trabalhistas proporcionais ao salário que recebe. Na residência que o trabalhador vai de uma a duas vezes por semana, a pessoa é considerada como autônoma.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, lembrou que 77% dos trabalhadores na agricultura ainda recebem abaixo do piso regional no Paraná.
Ele acredita que o aumento do piso também pode ser usado pelos sindicatos das outras categorias que não são enquadradas no mínimo para dar mais peso às negociações salariais.
Silva considerou positiva a criação de um espaço de discussão tripartite para negociar a política de reajuste do salário para os próximos anos, mas destacou que é importante que as partes envolvidas realmente queiram debater o assunto. E ainda discutir se o piso é suficiente para o trabalhador viver ou não.

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