Edinelson Alves
De Brasília
Especial para a Folha
O relator da CPI do Narcotráfrico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), confirmou ontem que recebeu denúncias de envolvimento de integrantes ‘‘dos Três Poderes’’ do Paraná com o crime organizado e o narcotráfico. O deputado acrescentou quue espera, durante a visita da comissão ao Paraná, nos próximos dias 29 e 1º de março, receber provas que possam sacudir o crime organizado no Estado. Questionado sobre o que já foi levantado, ele declarou que não pode adiantar nada. ‘‘Sabemos que há o envolvimento dos Três Poderes e também foram feitas denúncias contra empresários, mas isso vamos apurar quando obtivermos o material’’, afirmou. Moroni admitiu que há suspeita de envolvimento de um deputado, porém, preferiu não entrar em detalhes.
Para o relator, o objetivo da CPI não é chegar aos usuários de drogas ‘‘porque esses são casos do a dia a dia da polícia. Queremos alcançar os grandes responsáveis pelas redes de drogas e contrabandos para debelar o crime organizado no País’’.
Moroni pediu ontem, durante reunião realizada entre os membros da comissão, que fosse feito um trabalho específico na capital de São Paulo para se chegar aos cabeças das redes do tráfico internacional, incluindo aí máfias nigerianas, do Suriname e a paraguaia.
A prioridade de retomar os trabalhos pelo Paraná, se deve a posição estratégica do Estado, o que facilita não só a entrada de mercadorias como também a lavagem de dinheiro. Uma das metas da CPI, nessa nova fase, é tentar montar o quebra-cabeça para juntar as principais ações dos envolvidos, entre eles os deputados cassados José Gerardo de Abreu (Maranhão) e Hildebrando Paschoal (Acre) com o deputado Augusto Farias (Alagoas), acusado de herdar as práticas criminosas do seu irmão PC Farias, assassinado em 96.
O foco da sessão de ontem foi a retomada dos depoimentos sobre o crime organizado em Campinas (SP). A escrivã Naara Cristina Villares não compareceu a audiência alegando problemas de saúde e Rosângela Ribeiro disse que não tinha dinheiro para a passagem.
Mas os deputados alegaram que a passagem havia sido enviada e insistiram que irão ouví-las. Somente prestou depoimento o motorista Adilson Frederico Dias Luz, preso por roubo de carga e um dos autores da acusação ao advogado Arthur Eugênio Mathias por envolvimento com o crime organizado em Campinas.
Na sessão de ontem, os parlamentares da CPI criticaram o posicionamento da polícia. Em vários Estados do País foram constatados o envolvimento de policiais com o crime organizado. ‘‘O mau policial, quando há esta comprovação, deve ser banido da corporação’’, afirmou Torgan.
Segundo ele, nos casos de policiais suspeitos, o procedimento correto seria a retirada da carteira de policial e da arma. Segundo o parlamentar, o suspeito deve ser afastado de suas funções durante as investigações sobre sua conduta. ‘‘Não podemos aceitar transferência de policiais que têm qualquer envolvimento com o crime porque ele representa um perigo para a sociedade’’, afirmou.Relator da CPI das Drogas diz que passagem pelo Estado servirá para investigar envolvimento de pessoas importantes
Arquivo FolhaEXTENSÃOMoroni Torgan: ‘‘Sabemos que há o envolvimento dos Três Poderes e também foram feitas denúncias contra empresários’’

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