Curitiba - O empresário Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, foi condenado a cumprir seis anos de reclusão por crime contra o Sistema Financeiro Nacional. A pena poderá ser cumprida em regime aberto, com prestação de serviços à comunidade. A sentença da Justiça Federal (primeira instância) condena o ex-deputado estadual a indenizar vítimas do Consórcio Nacional Garibaldi -que teriam sido lesadas por conta da falência da empresa e da suposta gestão fraudulenta dos sócios. São mais de 4 mil consorciados que aguardam indenização num valor total de R$ 40,1 milhões. Tony foi condenado a pagar R$ 10 milhões. Outros dois empresários -que constavam do contrato social como sócios- foram condenados.
Tony, que está trabalhando em Curitiba, já recorreu da decisão judicial no Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre. Ele se diz inocente das acusações de gestão fraudulenta. Nega ter participado ativamente da administração do consórcio após 1991. Réu colaborador da Justiça Federal, Tony revelou no processo a participação de empresários e políticos na falência do Consórcio Garibaldi. Os detalhes não podem ser divulgados porque estão sob segredo de Justiça. Mesmo assim, Tony resolveu contar algumas particularidades das investigações que ainda estão em curso, em entrevista exclusiva à FOLHA. Ele acusou o Banco Central do Brasil de ser um dos principais culpados pelos prejuízos causados aos consorciados. E revelou, pela primeira vez, quem teria sido o primeiro político a intervir junto ao BC para pedir investigação do consórcio: o empresário já falecido José Carlos Gomes Carvalho (que foi presidente do Sistema FIEP).
A prova que Carvalho teria interferido na decretação de falência do Garibaldi estaria anexada ao processo. Numa carta, Carvalhinho contou em detalhes o que fez para que Tony tivesse o nome envolvido no escândalo. Tony conseguiu a retratação de Carvalhinho em 1995, durante o processo criminal na Justiça Eleitoral em que Tony acusava Carvalhinho de calúnia e difamação. O advogado de Carvalho à época era José Cid Campêlo (pai) -que depois defendeu em processos cíveis o filho do empresário morto.
Cid Campêlo confirmou que foi feito um acordo para que Tony desistisse do processo. Além de pagar os honorários do advogado de Tony (Genésio Natividade), Carvalho teria feito uma retratação no cartório eleitoral. Natividade não quis polemizar. Apenas confirmou o acordo e contou que Carvalhinho fez críticas ao Tony e ao Consórcio Garibaldi no programa eleitoral gratuito -motivo pelo qual a ação criminal foi ajuizada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
As condenações ocorreram após 11 anos de espera dos consumidores. O Consórcio Nacional Garibaldi foi fundado em 24 de janeiro de 1984 e teve a liquidação judicial decretada em 14 de outubro de 1994. A falência ocorreu no dia 2 de junho de 1995. A empresa foi acusada de fazer reajustes indevidos, contemplações irregulares, quitações fictícias de lances e parcelas, cobrança de seguros sem apólice, desvio de dinheiro para empresas ligadas a Tony Garcia e falta de entrega de bens contemplados e quitados.

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