Tony Garcia quer vaga do Senado
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segunda-feira, 29 de setembro de 1997
Curitiba 
Kraw Penas/Folha de LondrinaOtimismoGarcia, novo membro do PPB: confiança de que conseguirá emplacar nas eleições do ano que vemO empresário Tony Garcia aceitou o convite da direção estadual do PPB e assinou ficha de filiação ontem em Curitiba. O ex-PRN volta à cena política depois de três anos de ostracismo anunciando que concorrerá novamente ao Senado Federal em 98. Estou buscando um acerto político em torno do meu nome. Eu não saí do PRN por uma questão de coerência e fui penalizado por isso. Dessa vez, conseguirei emplacar, aposta.
Tony Garcia está disposto a adotar o mesmo discurso das disputas de 90, quando perdeu para o senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB), e de 94, quando ficou atrás dos senadores eleitos Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB). Sou jovem e quero acabar com o continuismo, afirma. Preocupado com o marketing pessoal construído pela sua equipe de campanha e que lhe conferiu a imagem do candidato bonitinho, o empresário aposta na fidelidade do seu eleitorado.
Ao contrário do PRN, o PPB é uma sigla melhor estruturada e isso vai ajudar no aumento da minha densidade eleitoral, explica o empresário que em 90 contabilizou 630 mil votos e em 94 quase um milhão. O PRN acabou em 92, lembra Tony Garcia, numa referência ao processo político de impeachment instaurado contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello, liderança máxima do seu partido.
Collorido confesso, o empresário admite que sua candidatura ao Senado já virou uma obsessão. Entro no PPB com a garantia de que serei o candidato, e disso não abro mão, avisa. A cúpula do PPB, no entanto, admite que poderá haver mudanças nas pré-candidaturas. Na medida que as articulações vão evoluindo..., diz Ricardo Barros, que se coloca como candidato ao governo.
O deputado federal não descarta a possibilidade de o PPB coligar-se com o PSDB no Paraná caso haja acerto entre o presidente Fernando Henrique e o ex-prefeito Paulo Maluf. Nessa hipótese, o PPB lança Tony Garcia à Câmara Federal, abrindo espaço ao presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, que sonha com o Senado. O PPB está no jogo da disputa. Não queremos ser coadjuvantes. O PSDB se apresenta hoje como uma solução para o impasse (coligar com o PMDB ou partidos aliados ao PFL), analisa Barros.
Uma pendência judicial pode também colocar em risco os planos políticos do empresário recém-filiado ao PPB. Garcia é processado criminalmente por envolvimento no rombo de RS$ 40 milhões deixado com a falência do Consórcio Nacional Garibaldi - Administradora de Consórcios S/C Ltda, empresa da qual era sócio e que sofreu a intervenção do Banco Central em 94. A família de Márcio Libretti teria agido, de acordo com as investigações da Justiça Federal, como testa-de-ferro do empresário.
O último depoimento dado por Tony Garcia foi no último dia 17 de junho, quando negou o envolvimento no escândalo. O empresário contesta as informações de que Libretti, antes de morrer num acidente de carro em 91, transferiu 90% dos poderes do Consórcio para Dirvail Grisaldo, tio de Tony Garcia. Se condenado, o empresário pode pegar de 9 a 36 anos de prisão e ficar inelegível. (L.D.)


