Tony Garcia nega que vá desistir da campanha
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Maria Duarte Rodrigo Sais<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O deputado estadual e candidato a senador Tony Garcia (PPB) demitiu nesta semana parte dos cabos eleitorais e assessores que trabalhavam em sua campanha. Nos bastidores, a informação ontem era que, para cortar gastos, cerca de 900 pessoas teriam sido mandadas embora e que Garcia poderia desistir da corrida pelo Senado.
O deputado, porém, nega demissão em massa e rechaçou a possibilidade de desistir da disputa eleitoral. Disse apenas que foi feita uma readequação na sua equipe. ''Elegemos algumas prioridades, vamos agora correr o interior, fazer shows.'' Garcia disse que ''os boatos'' teriam sido espalhados pelo cúpula do PMDB, para beneficiar o ex-governador Paulo Pimentel, o candidato peemedebista ao Senado.
O senador Roberto Requião, presidente estadual do partido e candidato ao governo, negou que as informações tenham sido vazadas pelo PMDB. ''Temos mais o que fazer do que nos preocuparmos com o Tony Garcia'', disse. Fonte da Folha no PPB informou que Garcia teria contratado a agência de publicidade Bronx, de Curitiba, para atender sua campanha.
Além do enxugamento da estrutura de campanha, os adversários de Garcia também exploram o caso do Consórcio Garibaldi. O pepebista conseguiu liminar suspendendo o andamento de uma ação penal contra ele, que o acusa de participação no consórcio. Segundo denúncia do Ministério Público (MP) federal, entre 1984 e 1994, o consórcio causou um prejuízo de cerca de R$ 40 milhões a seu associados devido a fraudes.
Os advogados de Garcia alegaram que a ação não teria sentido, uma vez que ele não teria tido participação no empreendimento. ''Nunca fui sócio desse consórcio e nunca tive ligação com ele. A única coisa que aconteceu é que eu era muito amigo de um dos donos do consórcio, que infelizmente faleceu'', afirmou.
Os procuradores justificam a inclusão do nome do deputado na denúncia, afirmando que Garcia era o controlador de fato do Consórcio Garibaldi, com os outros sócios agindo como ''laranjas''. A ação voltou a tramitar após a lei que garantia a imunidade parlamentar ser revogada pelo Congresso Nacional. Pela lei antiga, Garcia só poderia ser processado com a autorização da Assembléia Legislativa paranaense.
Garcia só deve dar sua versão após o final da campanha, em outubro próximo. Embora o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) não tenha estipulado um prazo para julgar definitivamente o mérito do pedido de extinção da ação penal formulado pelos advogados de Garcia, o trâmite de ações em Brasília costuma se arrastar por mais de dois meses, sem levar em conta os recursos passíveis durante a tramitação.


