Tony Garcia denuncia perseguição política
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-deputado estadual e empresário Tony Garcia (PP) acusou ontem o ex-presidente da Copel Paulo Pimentel de ter sido o responsável pelos quase três meses que passou na cadeia. Segundo Tony, Paulo Pimentel teria inventado acusações e divulgado calúnias sobre ele nos veículos de comunicação de sua propriedade. A Folha tentou contato com Paulo Pimentel mas foi informada que ele está viajando.
A inimizade entre Tony Garcia e Paulo Pimentel começou quando ambos disputaram uma vaga para o Senado em 2002, sem que nenhum dos dois conquistasse a vaga. Desde então, segundo Garcia, Pimentel teria iniciado uma campanha difamatória que resultou em sua prisão. ''Ele começou a pressionar os juízes aqui e em Brasília que atuavam no meu processo, dizendo que tinha indicado muitos desembargadores no Paraná. Ele falava isso para quem quisesse ouvir'', acusou o ex-deputado.
O empresário qualificou-se como o ''primeiro preso político do Paraná desde a ditadura''. ''Quem foi preso foi o político, o Tony Garcia (PP). A pessoa Antonio Celso Garcia nunca teria sido presa por essas acusações. O que houve foi uma campanha difamatória que levou a Justiça a aceitar como prova uma carta anônima forjada me acusando de crimes que não cometi'', defendeu-se.
Garcia afirmou que irá entrar com uma série de processos contra Paulo Pimentel e o grupo empresarial que ele comanda. ''Além de ter usado uma concessão pública que é a rede de TV para fins políticos, o que já é crime, ele terá que responder por todos os problemas que ele causou a mim e, principalmente, contra minha família. Nós vamos entrar tanto com processos criminais como com pedidos de indenização'', afirmou Garcia.
Apesar de ter conquistado a liberdade graças a um habeas corpus obtido junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre, o empresário ainda está com seus bens indisponíveis por decisão da Justiça. A fiança no valor de R$ 5 milhões teria sido deixada como garantia pela família, e refere-se a um imóvel no edifício Curitiba Trade Center, no centro da Capital. O Ministério Público Federal (MPF) deu parecer favorável para que o empresário fosse libertado da prisão depois de permanecer 85 dias na cadeia. De acordo com o parecer, o objeto da prisão já havia perdido o valor por conta das investigações que foram feitas pelo MPF no período e pelos depoimentos dados pelo empresário.
O ex-deputado classificou os 85 dias que passou na cadeia como a pior época de sua vida. ''Pior do que estar preso é o sentimento de estar sendo injustiçado. O processo do Consórcio Garibaldi teve início em 1996, e ficou parado por vários anos. Em todo esse período, eu nunca fui ouvido. Quando ele voltou a tramitar, a primeira medida foi me prender, sem que pudesse me defender. Agora, em liberdade, vou poder levar as provas que mostram que eu não sou culpado do que me acusam'', ressaltou. (colaborou Luciana Pombo)


