O deputado Tony Garcia, líder do PPB, apresentou ontem à mesa executiva da Assembléia Legislativa documentos revelando uma transação com títulos comprados pela Copel do governo do Espírito Santo, por preço que seria maior do que os praticados pelo mercado. De acordo com Garcia, o valor nominal dos ‘‘títulos podres’’ é de R$ 44 milhões, mas a Copel pagou R$ 25 milhões (deságio inferior a 50%). Entretanto, considerado o deságio de mercado, os precatórios poderiam ter sido adquiridos por até R$ 10 ou R$ 12 milhões, calculou.
O deputado sustenta que a operação foi feita junto ao Banco do Brasil, em 2 de janeiro deste ano, com o objetivo de pagar dívidas com o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) do Governo Federal. ‘‘Essa operação tinha sido oferecida ao Giovani Gionédis (ex-secretário de Fazenda) no ano passado e ele rejeitou por considerá-la imoral’’, criticou o pepebista.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, rebateu. Disse que a empresa não realiza operações ilícitas e que ‘‘quem passou esses documentos ao deputado só pode ter intenções duvidosas’’. O presidente da Copel classificou a iniciativa de Garcia como ‘‘leviandade’’.
Ele disse que a operação foi feita para pagar dívidas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e vai gerar lucro de R$ 58 milhões à companhia de energia. ‘‘Isso não tem nada de obscuro e foi inclusive publicado no balanço da empresa. A Copel só vai pagar esse valor no dia em que for realizado o lucro de R$ 58 milhões’’.
Além da denúncia apresentada pelo líder do PPB, a sessão especial foi movimentada, com ataques mútuos entre situação e oposição. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), usou como respaldo o Regimento Interno da Casa para impedir que Hubert falasse sobre a compra de 45% das ações da Sercomtel S.A. (a empresa telefônica de Londrina). O governista considerou que o assunto ‘‘não tinha a ver’’ com o objetivo da convocação de Hubert – falar sobre a privatização. O regimento prevê que o assunto não pode ser mudado no meio da sessão. (M.D.)

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