Tony garante ter fitas de escutas feitas em redações
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O presidente da CPI da Telefonia, deputado Tony Garcia (PPB), disse que recebeu ontem cinco fitas cassete com escutas clandestinas de conversas entre donos de jornais paranaenses. As gravações também conteriam diálogos entre redações. As fitas, com cerca de 15 minutos de duração, foram entregues de forma anônima e acompanhadas de pequenos bilhetes, explicando o conteúdo.
Segundo Garcia, os grampos poderiam ter sido feitos a mando do Palácio Iguaçu, para monitorar o comportamento da imprensa em relação ao governo. Pelo menos é o que se pode imaginar com base nas denúncias do cabo Jordão, disse. Devem querer saber quem é contra e quem é a favor do governo. As conversas, segundo ele, referem-se principalmente ao período pré-eleitoral de 2000.
Em entrevista à Folha, Jordão declarou ter sido afastado em 1999 do Serviço de Inteligência da Casa Militar (no qual trabalhou desde 95), porque descobriu um esquema de escuta clandestina. Ele revelou detalhes de como a escuta era feita e responsabilizou representantes do primeiro escalão do governo Jaime Lerner de acobertarem um esquema interno de espionagem.
Garcia disse que vai enviar as fitas para a Universidade de Campinas (Unicamp), para perícia. Antes de divulgar o conteúdo, ele quer saber se não foram feitas montagens. Temos que agir com muita cautela, para não transformar o caso em sensacionalismo e desmerecer nosso trabalho. O deputado também levantou a hipótese do material se tratar de contra-informação, para despistar a CPI. Por isso é necessário que antes se comprove a veracidade do material.
Garcia disse que o dono do jornal Gazeta do Paraná (de Cascavel), Marcos Formighieri, dispôs-se a depor. Ele nos disse que o Palácio Iguaçu tinha conhecimento do teor de uma conversa que ele havia tido com o senador Roberto Requião (PMDB) em 1998, revelou o deputado. A intenção da CPI é ouvir Formighieri na próxima semana. O jornal enfrenta uma disputa judicial com o secretário da Comunicação, Rafael Greca. Formighieri foi procurado pela Folha, mas não retornou. A Folha conversou com o irmão dele, João, que confirmou que Marcos está disposto a depor.


