Toninho da Barcelona frustra MPF
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, prestou depoimento ontem em Curitiba aos procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que investigam a remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Toninho da Barcelona foi preso e condenado a 25 anos de prisão no ano passado na operação Farol da Colina, executada pela Polícia Federal.
O doleiro chegou em Curitiba no início da tarde e prestou depoimento por cerca de cinco horas. Na avaliação do procurador Vladimir Aras, as informações trazidas pelo doleiro não acrescentaram nada de novo às investigações do MP. ''Ele falou o nome de vários doleiros e empresas offshore que já estamos investigando faz tempo. Além disso, ele não trouxe documentos comprovando nenhuma de suas afirmações. Fica difícil confiar na palavra de alguém que está preso nessas circunstâncias, por isso vamos avaliar seu depoimento com cautela'', afirmou Aras.
Toninho da Barcelona já havia falado sobre o esquema de remessa ilegal de dinheiro através de contas CC-5 a membros da CPI dos Correios na terça-feira, quando afirmou que desde 1989 o PT remete dinheiro para o exterior, citando inclusive os nomes do ministro da Justiça Márcio, Thomaz Bastos, do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do deputado federal José Janene (PP-PR). O doleiro esperava se beneficiar da delação premiada, colaborando com as investigações em troca da redução de sua pena.
Segundo Aras, os procuradores não aprofundaram as investigações sobre os políticos citados por Toninho da Barcelona. ''Mesmo que ele tivesse provas do que afirma, a força-tarefa não tem a competência para investigar ministros. Essa investigação teria que ser conduzida pelo procurador-geral da República, em Brasília'', explicou. Aras também negou que a delação premiada tivesse sido oferecida ao doleiro. ''Ele teria que apresentar evidências muito mais concretas do esquema de remessa de dinheiro para conseguir o benefício'', salientou.
O advogado de Toninho da Barcelona, Ricardo Sayeg, afirmou que não pediu aos procuradores o benefício da delação premiada. ''Nenhuma barganha foi feita. Ele veio aqui para dar uma colaboração espontânea, ajudar a passar o Brasil a limpo e resgatar sua credibilidade. E ele está disposto a depor na CPI em Brasília para colaborar com o país'', afirmou Sayeg, com a maior naturalidade.


