Curitiba - Deveria ser apenas um ato normal nas investigações sobre as contas CC-5 (de não residentes no País), mas o depoimento do doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, hoje à tarde, ao Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba, ganhou contornos políticos. A expectativa é que ele apresente provas do envolvimento de membros do PT em negócios com dólares, conforme denunciou. Mas vai tentar negociar com os procuradores o benefício da delação premiada. Embora durante a investigação o MPF já tivesse tentado propor o mecanismo, e não tivesse conseguido.
O entendimento dos procuradores é que no depoimento informal prestado terça-feira a alguns membros da CPI dos Correios no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo, o doleiro fez apenas insinuações envolvendo políticos, sem apresentar nada de definitivo. Ontem, na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi categórico ao afirmar que, nos cinco anos em que teve cargo na direção, o partido ''nunca mandou dinheiro para fora e nunca recebeu dinheiro de fora''. ''E acredito que antes disso também não'', registrou. Ele garantiu não conhecer o doleiro.
A preocupação da Força-Tarefa do Ministério Público Federal é que o depoimento de Toninho da Barcelona ajude na apuração do esquema de evasão de divisas feito inicialmente por meio da agência do Banestado em Nova York e, posteriormente, com a utilização de outros métodos igualmente irregulares. Mas também deve vir à tona a versão política do esquema que foi sinalizada pelo doleiro na terça-feira.
Um dos principais operadores no mercado de câmbio paralelo, por meio da empresa Barcelona Tur, Toninho da Barcelona é acusado de ter movimentado ilegalmente pelo menos US$ 191,69 milhões na conta Lisco e US$ 5,26 milhões na Miro, ambas na conta-ônibus Beacon Hill, do J.P. Chase Morgan, em Nova York, entre 1997 e 1999. Ele também tinha contas em nome de ''laranjas'' no Brasil.
Em razão das investigações sobre lavagem de dinheiro, o doleiro recebeu três condenações que, juntas, somam 25 anos de prisão. Ele cumpre a pena na penitenciária de Avaré, no interior de São Paulo. A delação premiada é um dispositivo jurídico que permite possível redução da pena ao acusado que cooperar na investigação.

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