Toni Garcia depõe sobre rombo de R$ 40 milhões em consórcio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 1997
Curitiba 
O ex-candidato do PRN à prefeitura de Curitiba e ao Senado, o empresário Antonio Celso Garcia (Toni Garcia), depôs ontem na Justiça Federal, em Curitiba. O empresário é processado criminalmente pelo envolvimento no rombo de R$ 40 milhões deixado com a falência do Consórcio Nacional Garibaldi - Administradora de Consórcios S/C Ltda, empresa que era sócio e que sofreu a intervenção do Banco Central em outubro de 94.
O depoimento, dado ao juiz da 2ª Vara Federal Criminal, Márcio Antonio Rocha, começou às 14 horas. Além de Garcia, também foi ouvido Rui Rodrigues Libretti, o irmão do empresário morto num acidente de carro em julho de 91, Márcio Libretti, um dos sócios majoritários do consórcio. A família Libretti, no entendimento do Ministério Público Federal, teria funcionado como testa-de-ferro do empresário, que evita admitir ligações com o grupo.
As declarações dadas ao juiz federal foram gravadas do início ao fim. Garcia foi o último a ser ouvido, no final da tarde. Fez questão de driblar os jornalistas e ficou por volta de duas horas fechado numa sala de espera. Um advogado representando o Banco Central do Brasil também acompanhou os depoimentos de ontem.
A equipe jurídica e o próprio Toni Garcia tentaram a todo custo descaracterizar as relações do empresário com o Consórcio Garibaldi. Mas em diversos momentos, o juiz questionou e contra-argumentou as informações. Márcio Antonio Rocha baseou-se nas constatações do MP que dão conta que Márcio Libretti, antes de morrer, teria repassado através de um documento 90% dos seus poderes como sócio-proprietário ao tio de Garcia, Dervail Grisaldo.
Rui Libretti tratou de repassar as responsabilidades para a sua equipe jurídica. Disse não entender da parte financeira do Consórcio e sim apenas do processo de vendas dos bens. O empresário não soube ainda identificar as assinaturas de dois cheques, cujos valores teriam sido desviados para a empresa Ipiranga Prestadora de Serviços Comerciais. O dinheiro foi, de acordo com o entendimento do MP, sacado das contas de grupos consorciados e apropriado indevidamente.
A tomada de depoimentos ontem foi uma exigência do processo federal que se arrasta há anos. Durante dois anos e meio, Garcia conseguiu se desviar dos oficiais de Justiça, alegando não pertencer à direção. Se comprovada a responsabilidade de Tony Garcia, de Rui Libretti e de Agostinho de Souza, no rombo do Consórcio Garibaldi, os empresários e demais envolvidos indiretamente podem pegar de 9 a 36 anos de prisão, além de multas. (L.D.)


