Tomou frango e virou Frangão
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Deputado federal em segundo mandato, depois de três mandatos como vereador, em Cascavel, sempre no PMDB (e seu antecessor MDB), Hermes Parcianello, 41 anos, conta que faz mais votos como Frangão, apelido com o qual se habilitou na Justiça Eleitoral. É herança da juventude, nos tempos de Goioerê, onde residiu até 1976.
Frangão gostava muito de futebol - as peladinhas -, e jogava na linha, mas certa ocasião o goleiro de seu time foi expulso, e ele foi para sua posição. Na primeira bola chutada pelo adversário, tomou um baita frango. Na galera, alguém gritou aí, frangão, heim?. Ele ficou bravo.
Apelido pega mesmo quando o apelidado fica irritado, e foi o que aconteceu - o que deveria ser frangueiro, que é o goleiro que falha, virou frangão - o ato falho. Vindo para Cascavel, Hermes percebeu que amigos já haviam espalhado o apelido, e aos poucos foi se habituando. Líder estudantil, logo virou vereador - o primeiro mandato foi em 82.
Pouco depois, quando se candidatou a deputado estadual, Hermes mandou fazer uma pesquisa para saber como os eleitores de Cascavel gostariam de identificá-lo. Não deu outra. Frangão mesmo. Nas eleições seguintes, o apelido foi sendo consagrado em definitivo. Só não é usado no círculo familiar.
Um irmão, Walter, conta que o chama pelo primeiro nome, mas, quando a conversa envolve terceiros presentes, é Frangão mesmo. O deputado também se classifica como galo de briga, quando se trata de defender suas posições ou fustigar adversários. Seu amigo Roberto Requião, em um período de estremecimento de relações, passou a chamá-lo temporariamente de franguinho - adversários mais raivosos preferem garnisé.





