Toma posse a nova prefeita de Juranda
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Cristiane Oyae Marta Ortega<br> Reportagem Local 
Quatorze meses depois das eleições municipais de 2004, o município de Juranda (78 Km ao sul de Campo Mourão) tem uma nova prefeita. Leila Miotto Amadei (PPS) e Antonio Hernandes (PMDB) foram empossados ontem pela Câmara de Vereadores como prefeita e vice-prefeito.
Leila e Hernandes, que perderam as eleições por uma diferença de 32 votos, assumem os cargos de Militino Malacoski (PMDB) e Orlando Carlos de Carvalho. Eles tiveram os mandatos anulados pela Justiça Eleitoral, no dia 14, por abuso do poder econômico durante as eleições de 2004. Segundo a denúncia encaminhada à Justiça pela chapa derrotada, durante a administração de Malacoski que estava em seu terceiro mandato teriam sido distribuídos vales aos eleitores, que davam direito a compra de remédios, combustível e alimentos no comércio da cidade. O esquema, segundo a nova prefeita, envolvia vários estabelecimentos, inclusive duas farmácias (uma delas de propriedade do vice-prefeito). ''As pessoas recebiam os vales, faziam as compras e os comerciantes retiravam o dinheiro na prefeitura.'' Segundo Leila, as filas chegavam a contornar o prédio da prefeitura. ''Eram mais de duzentas pessoas, todos os dias, na porta da prefeitura.'' O montante do esquema ainda não foi apurado. Uma auditoria interna vai ser a primeira medida adotada pela nova prefeita para apurar as irregularidades. ''Vamos apurar tudo o que era feito e tomar as providências necessárias'', afirmou.
A juíza Leonor Constantinopolos Severo ainda declarou Malacoski e Carvalho inelegíveis por três anos. Ontem foi tornada pública a decisão do juiz substituto Wilson José de Freitas Júnior, em um embargo de declaração ajuizado pelos advogados de Leila, que determinou ''o afastamento imediato dos acusados e a assunção da segunda colocada no pleito, até final julgamento''.
Conforme o advogado da nova prefeita, Vanderson Moreira Eliziário, o então prefeito decretou recesso até o dia 20 de janeiro. ''Não vai dar tempo de revogar, mas antes disso vamos trabalhar'', garantiu.
A Folha tentou falar com Malacoski, mas ele não foi localizado. Em entrevista concedida na semana passada, ele refutou a denúncia de abuso de poder econômico. ''Não teve de forma nenhuma, nunca teve, não tem abuso de poder econômico. É muita pressão. Aqui a briga política continua forte'', argumentou.


