Tom eleitoral marca liberação de verbas em Londrina
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segunda-feira, 05 de outubro de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
No palanque, quatro ministros, cinco deputados federais, um senador, o vice-governador do Estado, diversos prefeitos e uma série de ''autoridades'' municipais. Na plateia, engravatados contrastando com gente de chinelos nos pés e roupas simples. O clima era de euforia. Tudo isso marcou o ato de assinatura da liberação de R$ 104 milhões da Caixa Econômica Federal para a construção de 2.173 moradias do projeto Minha Casa, Minha Vida em Londrina e 176 em Arapongas, na manhã de ontem, na prefeitura de Londrina.
Na mesma solenidade, foram liberados R$ 23,6 milhões para a reforma de uma unidade de internação e a conclusão de um novo bloco da Santa Casa de Londrina, que vai oferecer 125 leitos de internação e 38 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Essa obra começou há 15 anos e estava parada desde 2002. O prazo para a conclusão das obras do hospital e das moradias é de um ano a partir do repasse efetivo dos recursos pela Caixa.
Na esteira das boas notícias, o momento de assinatura dos documentos tomou ares de campanha eleitoral, com a presença da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que deve ser a candidata do presidente Lula (PT) para a sua sucessão em 2010; do ministro Paulo Bernardo (Planejamento); Márcio Fortes (Cidades) e José Gomes Temporão (Saúde), além da presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho. Também subiram ao palanque o vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB) e o senador Osmar Dias (PDT), pré-candidatos ao governo estadual e que disputam o apoio de Dilma para as próximas eleições. As bandeiras vermelhas do PT agitadas nos momentos de maior entusiasmo ajudaram a reforçar o clima de comício.
Ao todo, foram 11 discursos, abertos pelo prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), todos recheados de agradecimentos e que somaram mais de 30 pausas para aplausos. Foram 140 minutos de falas, ou seja, cada 17 casas anunciadas mereceram um minuto de discurso. Alguns foram mais entusiasmados, como o de Osmar Dias, que bradou: ''Você, ministra Dilma, pode vencer'', sem deixar claro se a vitória seria eleitoral ou não.
Assistindo à cerimônia, muita gente que faz parte dos 32 mil inscritos na fila de espera por uma casa própria da Cohab de Londrina. Alguns aproveitaram para mostrar cartazes com a reivindicação de uma moradia ou de melhorias nos assentamentos onde residem. Outros não resistiram ao cansaço - foram pouco mais de duas horas de solenidade - e acabaram dormindo no gramado que separa a prefeitura da Câmara de Vereadores.
Das moradias que serão construídas em Londrina, 2.056 são exclusivamente do Programa Minha Casa, Minha Vida, terão 36,8 m2 (casas) e 48,9 m2 (apartamentos) e custarão R$ 87.428.418,88, uma média de R$ 42,5 mil cada moradia. Sessenta e seis unidades serão destinadas a deficientes físicos e portadores de necessidades especiais. Terão direito às moradias famílias com renda de até três salários mínimos. Para essas casas ou apartamentos, não será seguida a fila da Cohab. As casas serão entregues de acordo com a maior necessidade das famílias. Esse novo bairro da cidade vai se chamar Vista Bela e vai ficar na zona norte.
Outras 117 unidades habitacionais que serão entregues fazem parte do Programa de Urbanização, Regularização e Integração de Assentamentos Precários; que prevê a construção, recuperação ambiental, projeto de participação comunitária e regularização fundiária, para retirada de famílias que ocupam áreas de fundos de vale.
Ao final da cerimônia, questionada sobre um possível cunho eleitoral das assinaturas dos contratos em Londrina, a ministra Dilma Rousseff rebateu. ''É só fazer um raciocínio: a cada dois anos temos eleições no Brasil, então vão dizer que tudo o que o governo fizer é campanha eleitoral.'' Sobre o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) estar questionando 13 obras que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ela procurou minimizar o fato. ''O PAC tem 2,3 mil obras e apenas 13 estão sendo contestadas. O próprio TCU reconhece que as obras do PAC tem menos problemas que as demais obras públicas. O Brasil estava despreparado para investir, pois ficamos 25 anos sem investimentos. Com isso, a máquina que fiscaliza não parou, se fortaleceu. Ao contrário, a máquina que executa e constrói parou, tanto que um engenheiro da máquina que executa ganha R$ 3,5 a R$ 4 mil e um engenheiro que fiscaliza ganha no mínimo R$ 12 mil'', completou.


