Tolerância relativa
Dentre as duas dezenas de notícias-crime relativas ao processo da Leasing Banestado apenas três procedimentos tiveram andamento mais rápido na Justiça Federal e todos eles relativos aos casos de empréstimos a empresários de Sergipe. Agora, porém, depois de seis anos da ocorrência das fraudes, é que o MP federal pede a condenação de 14 pessoas, onze empresários, um consultor e dois ex-funcionários da hierarquia daquela unidade.
Pessoas ligadíssimas à cúpula do governo Lerner, tanto nesse episódio como nos da Corretora, estavam por dentro do que ocorria. Não houve omissão do sistema porque a própria diretoria do banco estadual, então presidida por Neco Garcia Cid, mantinha um contrato com um escritório de investigações que, se valendo de ''grampos'', levantou boa parte do material obtido. Algumas atas de reuniões internas do Banestado, e que vazaram até pela Internet, o que nega obediência ao sigilo, revelavam o amplo conhecimento de toda a trama.
Nesse episódio e mais no relativo à gangue dos 60% (compromissos inscritos em ICMS na Dívida Ativa eram acertados com a devolução, aos que os saldassem, de 60% do que havia sido pago, e a tramóia envolvia além de servidor público do Banestado um escritório de consultoria operado por ex-chefes de zonais do PDT lerneriano) houve intervenção do então secretário da Fazenda, Miguel Salomão, e também de autoridades policiais que encaminharam os informes ao Ministério Público, tanto o estadual quanto o federal.
Houve, pois, uma tolerância relativa e não escancarada do governo, tanto que foi possível indiciar os envolvidos na operação. Uma das críticas agudas ao governador estava no fato de haver promovido a secretário de Esporte e Turismo o presidente da Leasing, ao tempo das ocorrências, Osvaldo Magalhães dos Santos, que morreria em acidente de trânsito.
POLÍCIA & POLÍTICA Esperava-se que com a determinação de Requião de acumular a Secretaria de Segurança não houvesse mais intervenção de políticos na área, o que foi a causa do descalabro no governo Lerner quando visivelmente o setor estava sob o predomínio do Legislativo. No momento está havendo as maiores dificuldades para compor os quadros dirigentes e delegacias especiais como a de Foz do Iguaçu, em que um mínimo de oito nomes já foram apresentados com uma efetiva interferência de parlamentares e prefeituras.
Ainda ontem apresentou o seu pedido de aposentadoria o delegado Gilson Garret Algauer, de segunda classe, e que fez um trabalho excelente em Londrina, com respaldo na comunidade, porém derrubado por dois deputados da região ao tempo de Lerner. A impressão que se tem é que o delegado geral Adauto de Oliveira, que precisa de liberdade de movimentos até pela circunstância de não haver um secretário no comando da pasta, estaria com dificuldades para deflagrar o seu trabalho na recomposição dos quadros.
BIZARRICE O custo-benefício dessa caravana de Lula com 30 ministros pode ser calculado nos dispêndios com o deslocamento aéreo e a comitiva. Até agora o placar é o seguinte: ''Fama 10, Fome Zero''.
AXIOMA Da mesma forma que cadastrar quem tem fome no Brasil é uma questão complexa (o PT falava em mais de 50 milhões, o IPEA em 20 milhões) assim o será também a identificação dos que ganham até R$ 80,00 reais para haver o benefício da isenção em energia elétrica no Paraná. De repente, só a operação de cadastramento sai mais cara do que a soma do benefício acumulado. Se isso acontecer não será surpresa e estará dentro da irracionalidade costumeira.
GLOSA Nem sempre a gordura significa cordura no trato. Dá para observá-lo no cotidiano da política.
EPIGRAMA Não bastassem as bobagens do governo anterior na Represa do Iraí, o atual cogita de restabelecer o Parque de Exposição Pecuária o que poria em novo risco aquela fonte com substâncias químicas usadas nas feiras.
AFORÍSTICO Até quando prevalecerão os factóides sobre a realidade?





