O fim do ciclo lerneriano vai pôr em destaque duas qualidades e um defeito, este de estilo. As qualidades estarão nas numerosas obras (cerca de 14 mil em oito anos, o que não é pouco) e na transformação do cenário (não dá para comparar o Paraná que Requião assume com aquele que deixou para Mário Pereira completar o seu período) e no espírito de tolerância que adota no diálogo nessa fase de transição. O caso das licitações da Sanepar é paradigmático, o que já ocorrera em outros atos como o do cancelamento do concurso público para o magistério. O defeito: personalismo ao lado de uma displicência que dele faria um personagem da linha do cinema de Antonioni em termos de um tédio quase mortal como se estivesse desligado até do que faz.
Adotando a tolerância, obriga o seu sucessor, por um regra de educação, a um comportamento simétrico, o que não significa expectativa de comportamento acomodado depois da posse. Aliás, a equipe de Lerner (vide o caso Taniguchi) é mantida sob dura fiscalização do Ministério Público, o que se espera ocorra também no futuro governo, como é de seu dever e exigência da sociedade. Tanto que o caso dos ''grampos'' telefônicos está reaberto.
Tolerou, também, o que não devia, casos como os da Leasing e da Corretora do Banestado e o período em que o crime organizado se estruturou de tal forma que a passagem da CPI nacional obrigou a remoção da cúpula da polícia civil. Aquele tempo a segurança era praticamente sob os cuidados do Legislativo, o que é uma temeridade. Fez concessões demasiadas a empresas como as automotivas e teve aliados de ação política devidamente cassados como os prefeitos de Londrina e Maringá. O balanço lhe é favorável: termina seu ciclo inaugurando obras importantes em todo o Estado com o que consolida o ideal de integração econômica e cultural. O saldo político é negativo: seu potencial de nome nacional, o maior de todos depois de Ney Braga, foi dissipado.
BIZARRICE Apelido do NovoMuseu por causa da forma do ''olho'': mata-borrão. O objeto era usado para secar a escrita à tinta.
AXIOMA Lerner viaja na maionese, Cassio Taniguchi no risoto.
GLOSA Aliás, ajuste prévio em licitação, acusado no caso Risotolândia-Cassio Taniguchi, é regra nas nossas praxes ou seria mesmo uma exceção?
EPIGRAMA Tribunal de Contas aprova tudo e depois o Ministério Público é que tem que ir atrás das irregularidades. Estava aprovando as contas da Leasing Banestado (relator: Naigeboren, cunhado de Lerner) até que o conselheiro Nestor Baptista pediu vistas. Vistas, hoje para esse governo, é só aquele olho genial do Niemeyer. Mais de 20 notícias-crime foram levadas à Justiças federal e estadual praticadas na Leasing e mesmo assim a aprovação estava caminhando.
FOLCLORE Donos de revistas e jornais mandaram ofício a Requião pedindo que escolhesse alguém da área para a Secretaria de Comunicação. Havia um nome, aliás muito bom, para o setor: o jornalista Nilson Pohl. Um assessor de Requião, que gosta de imitar o chefe, disse ser um ''pool em favor do Pohl''.
VINHETA Se o Pohl emplacasse haveria no Palácio Iguaçu um ''Pohlitburo''.
CROMO E a Maria estava matinal, claridade de regato, nenhuma bruma e como todos nós, ignorante desse olhar, trabalhava, a alma no computador. A beleza de tantas na redação faz do nosso ofício arte do lúdico e da contemplação, enquanto o relógio o permite.
AFORÍSTICO Quando se fala em pedágio e transporte coletivo há muita referência à planilha que para alguns governantes, de oposição é claro, rima com quadrilha. Na condição de governo, o discurso muda e planilha vira maravilha. Como se observa a canalhice é um estado de espírito.

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