Isabel Braga Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou a própria autoridade, em discurso público ontem no Planalto, anunciando aos aliados partidários que não aceitará contestações a decisões tomadas por ele. ‘‘Devo dizer que, no meu caso, a minha tolerância chegou ao limite, chegou ao limite’’, afirmou o presidente. O tom do discurso foi o mesmo feito pelo presidente nas reuniões com os ministros nas quais cobrou coesão e solidariedade aos atos do governo e deverá ser repetido aos líderes do Congresso. Nos próximos dias, FHC - que, segundo o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga está insatisfeito com a atuação do Congresso - deverá reunir os líderes dos partidos aliados para cobrar a condução de uma ‘‘pauta efetiva’’ após julho.
‘‘Nas últimas semanas, houve como que uma paralisia dos trabalhos, o que não é bom para o governo, mas também não é bom para o Congresso e, consequentemente, não é bom para o País’’, afirmou Veiga. ‘‘O presidente vai estimular o Congresso a cumprir uma pauta efetiva, indispensável para o desenvolvimento do País’’, completou, acrescentando ter convicção de que o segundo semestre será fértil nos trabalhos do Legislativo.
No discurso feito ontem a estagiários da Escola Superior de Guerra (ESG), Fernando Henrique alertou ainda que o Brasil ‘‘não pode mais conviver com disputas corporativas’’, avisando: ‘‘Chegou o momento em que precisamos marchar juntos pelo rumo escolhido pelo povo e o presidente representa isso.’’ FHC disse que o País precisa do apoio logístico dos militares para o combate ao narcotráfico, mas que não caberá a esses militares o papel de polícia.
O presidente levou quase três meses para escolher o novo diretor-geral da PF em razão de brigas internas entre a área de inteligência do governo, chefiada pelo general Alberto Cardoso, e a Polícia Federal (PF), pelo comando das ações referentes ao narcotráfico. O ministro da Justiça, Renan Calheiros, tomou as dores da PF e tornou pública as desavenças, o que irritou o presidente.
Ao cobrar ontem respeito dos aliados às decisões dele, Fernando Henrique foi enfático. ‘‘Em qualquer campo, a decisão tomada há de ser respeitada’’, cobrou o presidente, acrescentando: ‘‘Não pode ser decisão que a cada instante seja objeto de contestação, por quem quer que seja.’’ FHC afirmou ainda não aceitar contestação ‘‘daqueles que estão na obrigação - ou moral porque são partidários, são aliados - ou institucional, porque são parte do Estado para levar adiante os projetos de transformação do Brasil’’.
No discurso no qual traçou um panorama favorável da recuperação econômica brasileira depois da desvalorização do real e da mudança cambial, FHC também mandou uma mensagem ao MST. ‘‘Está chegando um ponto em que será difícil que a continuidade dessas práticas não encontrem uma resposta daqueles que são responsáveis pela democracia no Brasil’’, avisou.
Segundo o presidente, o movimento está fazendo ‘‘uma exploração política da terra’’. ‘‘A pressão é legítima, mas a permanente perturbação da ordem pública, através de meios violentos, ocupação de prédios e desordem, estão ultrapassando os limites.’’
O presidente do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), respondeu imediatamente às críticas de FHC. ‘‘A base aliada tem ajudado muito o presidente, não tem lhe faltado apoio inclusive para aprovar medidas polêmicas’’, afirmou.Presidente reafirma autoridade, critica ‘‘disputas corporativas’’, ‘‘paralisia do Congresso’’ e exige respeito às decisões
José Paulo Lacerda/Agência EstadoCoesãoFernando Henrique: ‘‘Chegou o momento em que precisamos marchar juntos pelo rumo escolhido pelo povo e o presidente representa isso’’

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