Toga de magistrado também foi obtida com força de amigos
Para vestir a toga de magistrado trabalhista, Nicolau fez valer uma vez mais a força de seu lobby. A escolha pelo quinto constitucional do Ministério Público e da OAB pode ser acirrada. As duas instituições enviam listas sêxtuplas à presidência da Corte. A relação é enxugada para três nomes que, então, são submetidos à apreciação do presidente da República. Nicolau chegou assim ao TRT. No tribunal, foi inúmeras contemplado com gratificações. A primeira, em julho de 1982, quando incorporou aos vencimentos adicional de 30% retroativo à data de seu ingresso na Justiça por contar mais de 15 anos na função.
Em 1990, o juiz chegou à presidência do tribunal. Juízes trabalhistas relataram que, na época, a pauta de Nicolau estava sobrecarregada com 600 processos atrasados. Instalou-se um mutirão, com recrutamento de vários magistrados, para pôr a agenda de Nicolau em dia condição importante para um juiz candidatar-se à presidência.
Em 1992, Nicolau comandou o processo de licitação para construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Segundo o Ministério Público, a concorrência foi fraudulenta e houve superfaturamento no contrato do TRT com a Incal Incorporações.
Ao deixar a presidência do tribunal, Nicolau não tentou a recondução porque a lei não permite. Aí, ele assumiu imediatamente a presidência da Comissão de Obras do Fórum, empreendimento que consumiu R$ 263,9 milhões do Tesouro, em valores atualizados para abril de 1999.
A carreira de Nicolau chegou ao fim melancolicamente, em setembro de 1998, quando o presidente do TRT, juiz Floriano Vaz da Silva, o demitiu da Comissão de Obras. Em abril, com pelo menos US$ 12,7 milhões depositados na Suíça e nas Ilhas Cayman, ele ingressou no rol dos procurados da Justiça, aos 72 anos de idade. (A.E.)





