Toda a Câmara ficou sob suspeita
Acabada a reunião da executiva municipal do PMDB, ontem de manhã - realizada a portas fechadas -, a reportagem tentou conversar com dois vereadores do partido sobre o episódio envolvendo Henrique Barros. Filiado ano passado à legenda, Jamil Janene saiu às pressas ao ser abordado sobre o fato e ainda sobre a possibilidade de o leque de investigação se abrir ao restante da Câmara. ''Não vou falar nada; ele (Barros) que vai dizer'', resumiu. Já Osvaldo Bergamin, apontado pela própria presidência do partido como um dos possíveis intimados a depor na promotoria, declarou: ''Até o momento, não fui intimado''.
Para Bergamin, a prisão do colega de plenário e de partido fez com que ''toda a Câmara ficasse sob suspeita''. Entretanto, ressalvou: ''Mas acredito que isso não terá muitas consequências; não sei a vida de cada um, mas falo por mim''. O vereador alegou que ''é difícil fazer pré-julgamento'' sobre a situação de Barros. ''Ele está se defendendo, até nos mandou uma mensagem de que vai provar a inocência''. Se ele próprio está convicto de que Barros é inocente? ''Aí não posso afirmar. Ele está sendo investigado, e provavelmente os promotores vão chegar a uma conclusão'', encerrou.
Citados por Cheida, os vereadores Renato Araújo (PP) e Orlando Bonilha (PR) não foram localizados pela FOLHA, ontem de manhã e início da tarde, para comentar o assunto. Gláudio Lima (PT) negou que tivesse sido intimado, mas defendeu: ''O mínimo que o MP tem que fazer é chamar toda a Câmara - e acho natural que todos da Comissão de Justiça sejam -, pois os projetos precisam de pelo menos dez votos para serem aprovados'', comentou Gláudio, para completar: ''Mas nunca dei procuração ao Henrique para ele falar em meu nome''.
Flávio Vedoato (PSC) disse não saber se havia ou não sido intimado. ''Não tenho problema algum em esclarecer o que for preciso ao MP; sequer fui denunciado''.
Barros permanece preso no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), já que o pedido de liberdade provisória, apresentado pela defesa na sexta-feira, ainda não foi julgado. (J.G.)





