A Telepar Brasil Telecom conseguiu barrar pela segunda vez os trabalhos da CPI da Telefonia. O desembargador Nério Spessato Ferreira, do Tribunal de Justiça (TJ), concedeu liminar à empresa para interromper as atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito por 90 dias. Os representantes da área jurídica da operadora devem se pronunciar hoje sobre o assunto, segundo a assessoria de imprensa.
O despacho saiu no dia 1º, mas o Legislativo foi comunicado oficialmente apenas ontem. O presidente da comissão, deputado Tony Garcia (PPB), ficou irritado com a decisão do Judiciário e anunciou que pretende retomar a primeira versão da CPI. ''Estamos sendo proibidos de prestar um serviço a pelo menos 2 milhões de usuários'', protestou. Ele lembrou que a CPI conquistou avanços, como a devolução de valores pagos indevidamente por aluguel de telefones.
Os advogados da Telepar alegam que o papel da atual CPI tem semelhanças com a comissão desativada pelo TJ em junho. Na ocasião, a CPI teria desvirtuado o objeto de sua investigação á- a cobrança abusiva de tarifas - para apurar acusações de grampos telefônicos, montados com envolvimento da Telepar, no Palácio Iguaçu e em comitês políticos.
A saída encontrada pelos deputados foi criar, dias depois, uma nova CPI para esclarecer supostas cobranças abusivas, a segurança do sistema de telefonia e grampos no Sindicato dos Bancários de Curitiba. Os dirigentes da entidade sindical acusam o Banco HSBC de ter patrocinado as escutas, denúncia que a instituição nega. Com o novo despacho, a sessão que estava marcada para hoje, às 9 horas, não poderá ser realizada. O presidente do HSBC no País, Michael Geoghegan, iria depor.
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), limitou-se a dizer que não vai comentar a decisão do Judiciário através da imprensa. Um grupo de deputados acredita que o Judiciário está se colocando contra as ações da Assembléia por causa da demora na votação das mudanças no Código de Organização e Divisão Judiciárias, que cria novos cargos e novas comarcas.
O peemedebista Nereu Moura criticou a decisão do TJ. ''É uma interferência indevida. Os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) são independentes'', declarou. O líder do governo, Durval Amaral (PFL) saiu em defesa do TJ. ''É o poder moderador'', afirmou.

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