TJ revoga prisão preventiva de Bonilha
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sexta-feira, 07 de março de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) concedeu ontem no final da tarde a revogação da prisão preventiva do vereador Orlando Bonilha (PR), detido na quinta-feira no estacionamento da Câmara Municipal. A liberdade veio apenas quatro horas após sua defesa entrar com habeas corpus no TJ - e uma hora depois da divulgação da liminar que o afastou do cargo. A prisão preventiva, decretada pelo juiz da 2 Vara Criminal de Londrina, Délcio Miranda da Rocha, citou o fato de Bonilha ter oferecido três endereços como seu domicílio na cidade ''manobra clara para dificultar que fosse encontrado, em prejuízo do devido processo legal''. Ele alegou também o risco de fuga, já que o vereador ''tem faltado aos trabalhos legislativos e poderá renunciar ao cargo''. No processo, Bonilha é acusado de ter se apropriado, em 2004, de R$ 830 do salário de assessores lotados em cargos comissionados - o que equivaleria à metade dos vencimentos.
A juíza Lilian Romero, do TJ, considerou que os argumentos utilizados para a prisão preventiva são ''inidôneos''. De acordo com ela, houve a ''mera exteriorização de juízo hipotético'' porque não foi apontada nenhuma evidência de que Bonilha teria a intenção de renunciar ao mandato. Além disso, ela disse que a menção à ausência do vereador nas sessões ''esbarra no fato de que ele foi preso quando saía daquele edifício, no mesmo dia em que a ordem prisional foi decretada''.
Antes de emitir seu despacho, a juíza Lilian Romero exigiu que fosse apresentada prova de seu domicílio atual, o que teria sido feito com a apresentação de uma declaração do Hotel Bristol, localizado no centro de Londrina, indicando que ele é morador de um dos apartamentos e que está em dia com a taxa condominial. A divergência dos endereços, segundo a juíza, ''nunca impossibilitou a localização do paciente (Bonilha)''. A juíza não citou a justificativa de manutenção da ordem pública em qualquer uma das 80 linhas que compõem o despacho.
A espera pela libertação de Bonilha foi acompanhada por quase uma dezenas de correligionários, entre eles o secretário de Planejamento, Ézer Mariano. Ao deixar o grupamento do Corpo de Bombeiros, no Jardim Tókio - onde estava detido -, o vereador disse considerar lamentável a prisão. ''Não sou bandido, sou pessoa de bem. Nesta cidade já dormi até em calçadas. A minha carne está sangrando, mas o espírito está forte'', declarou. ''Estou arrebentado''.
Sobre a questão dos endereços, Bonilha disse que o processo já tramita há alguns anos e que nesse período se mudou da residência onde morava com a ex-esposa, passou pela casa de sua mãe e atualmente mora no hotel. Bonilha também fez um apelo aos ''nobres pares'' da Câmara Municipal. ''Não deixem misturar as coisas'', justificando que a comissão processante aberta contra ele na quinta-feira versa sobre acusação diversa da que o levou à prisão. Bonilha se recusou a comentar declaração feita dias atrás de que não seria a única batata podre da Câmara.
O advogado Ronaldo Neves, que o acompanhou durante a entrevista, também justificou sua crítica à prisão: ''Quem tem três endereços é mais fácil de ser encontrado do que quem tem um''.


