A tentativa do prefeito de Marilândia do Sul (Norte do Estado), Jaime Rossi (PMDB), de renunciar ao mandato para tentar fugir de uma acusação de homicídio culposo que corria no Tribunal de Justiça (TJ) não deu certo. Ontem, sua renúncia foi anulada e ele acabou julgado e condenado a seis anos de prisão. O procurador Luiz do Amaral se baseou em reportagem publicada pela FOLHA para questionar a renúncia do prefeito e fazer com que o julgamento se realizasse.
No dia 9 de novembro, o prefeito declarou à FOLHA que estava renunciando ao cargo de prefeito de Marilândia do Sul porque não queria ser julgado no TJ, em Curitiba. Com o ato, ele perdia o direito do foro privilegiado (responder a ações criminais apenas em tribunais de segunda instância) mas poderia protelar o julgamento. ''Essa foi a única solução que achei para jogar para frente (o julgamento) e ganhar tempo'', argumentou o prefeito na ocasião. O desembargador relator do processo na 2 Câmara Criminal, Carlos Augusto Althéia de Melo, recebeu a renúncia e tirou de pauta o processo contra Rossi.
Valendo-se das declarações do então ex-prefeito, o procurador entrou com um recurso para anular a renúncia, alegando haver indícios de fraude processual porque o julgamento de Rossi no TJ já havia sido agendado duas vezes mas tinha sido desmarcado a pedido da defesa do acusado.
O recurso do procurador foi acatado por unanimidade e o prefeito foi condenado, também por unanimidade, a seis anos de reclusão. Ele foi considerado culpado pelo crime de homicídio culposo cometido há treze anos - teria matado um parente durante uma discussão. Rossi pode recorrer da decisão.
A FOLHA tentou contato com o prefeito no início da noite de ontem mas não conseguiu localizá-lo por telefone.

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