TJ reconduz Sidney de Souza à Câmara
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ/PR), Rosene Arão de Cristo Pereira, acolheu ontem recurso do presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB), e determinou sua recondução ao cargo. O parlamentar foi afastado na última quarta-feira pelo juiz da 1 Vara Cível de Londrina, Mauro Ticianelli, por envolvimento em eventual cobrança de propina para aprovação de lei municipal, em dezembro de 2005, que fez a doação de um terreno público ao empresário Marcelo Caldarelli.
Além de Souza, o juiz decretou o afastamento do corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), do vereador Jamil Janene (PMDB) e dos vereadores já afastados Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Flávio Vedoato (PSC), sob alegação de que eles poderiam prejudicar a instrução do processo. Os ex-vereadores Orlando Bonilha (PR) e Henrique Barros (sem partido) também são citados na denúncia. Em depoimento à Justiça, Bonilha afirmou que todos os vereadores acusados pelo MP receberam propina de Caldarelli.
O despacho do desembargador foi publicado menos de quatro horas - de expediente forense - após o registro do recurso. Rosene Pereira alegou não ter encontrado indícios de conduta ''maliciosa'' do vereador visando atrapalhar a apuração dos fatos. ''O alijamento sumário de agentes políticos é uma condição excepcionalíssima'', alegou. Em nenhum momento, Rosene Pereira citou a declaração de Bonilha ao MP indicando que foi pressionado pelo presidente da Câmara para não revelar os ''problemas da Câmara''.
O desembargador também alegou, para conceder efeito suspensivo ao afastamento do presidente da Câmara, que ''os porões da política são, não raras vezes, de tamanha nebulosidade, que impossibilita (sic) ao julgador ter a convicção exigida para o deferimento de tutela de urgência''. E conclui: ''Ainda mais no caso posto, onde as palavras do ex-vereador Orlando Bonilha (que foi cassado!), cheiram a vingança política''. A Câmara foi notificada ontem da decisão.
O presidente da Câmara não quis falar ontem sobre a decisão. Seu advogado, Dely Dias das Neves, avaliou que o despacho ''já era esperado''.''Eu aguardava isso com muita esperança''. O vereador Jamil Janene disse que na segunda-feira vai pedir a suspensão de seu afastamento e o arquivamente da denúncia contra ele. ''Vou fazer tudo com tranquilidade e mostrar para a sociedade que não existem provas contra mim'', disse. Luiz Carlos Tamarozzi não foi localizado pela FOLHA.


