TJ nega recurso e mantém Gianoto fora
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de novembro de 2000
De Curitiba 
O prefeito afastado de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido), sofreu ontem uma derrota no Tribunal de Justiça (TJ). O desembargador Bonejos Demchuk não concedeu liminar solicitada pelos advogados de Gianoto. O prefeito tenta cassar a decisão de primeira instância que o afastou do cargo. Gianato e o ex-secretário de Fazenda do município, Luiz Antônio Paolicchi, são acusados do desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura entre 1998 e 1999 e estão com os bens indisponibilizados.
De acordo com o desembargador, o prefeito não conseguiu dar sustentação jurídica ao seu pedido. Além do mais, o pedido de licença, solicitado pelo próprio Gianoto, antes de proferida a sentença que o afastou, é contraditório ao pedido de liminar. Se o agravante mantém a intenção do afastamento espontâneo, não deve, a contrário senso, opor-se ao afastamento judicial, despachou o desembargador, nomeado pela presidência do Tribunal de Justiça para apreciar o recurso interposto na segunda-feira.
No despacho, Demchuk mantém ainda a indisponibilidade de um avião apontado como sendo de Gianoto. Apesar dele alegar já ter vendido o avião, o desembargador entendeu que a não apresentação de um comprovante de venda comprometeu o desembaraço. Razão pela qual o avião não pode ser passado adiante, até a conclusão do processo ou segunda ordem judicial. A aeronave é um bimotor Chaienne, com capacidade para seis passageiros, avaliado em R$ 1,2 milhão.
O TJ não tem uma previsão ainda para julgar o mérito do mandado de segurança impetrado pelos advogados de Gianoto. Demchuk pediu uma série de informações ao juízo de Maringá. Segundo o despacho, para dar suporte ao processo de julgamento.
Os aliados do prefeito afastado souberam à distância da decisão do TJ. O próximo passou da defesa agora é tentar levar o pedido ao crivo da Justiça em Brasília, uma vez que estão praticamente esgotados os recursos no Paraná.
A cassação da sentença que afastou Gianoto do cargo era uma tentativa de resgatar a sua imagem política, arranhada pelas acusações de envolvimento no caso Paolicchi que pesam contra ele. O mandato do prefeito, que não foi reeleito, termina no final de dezembro.
Em Maringá, o juiz Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Criminal Federal, ratificou ontem o pedido de localização das aeronaves do prefeito afastado e de Paolicchi. O avião do ex-secretário é um Lear Jet prefixo PT-LDM, avaliado em R$ 4 milhões e estaria em poder de uma empresa de Anápolis (GO). (Leandro Donatti e Marcos Zanatta)


