A desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ/PR), Maria Aparecida Blanco de Lima, voltou a negar pedido para suspender a decisão do juiz da 4 Vara Cível de Londrina, Jamil Riechi Filho, que afastou do cargo os vereadores Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) - que renunciou na última quinta-feira. O despacho foi emitido em resposta a dois agravos de instrumentos, pleiteados por Vedoato e Bergamin, no último dia 14. A mesma desembargadora já havia negado pedido semelhante apresentado por Bonilha e Araújo. A decisão dificulta a estratégia jurídica dos três vereadores afastados, que respondem, além da ação civil pública que tramita na 4 Vara Cível, a processo na justiça criminal, juntamente com o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) - que foi flagrado recolhendo propina de empresários no início do ano para facilitar a aprovação de projetos de lei.
Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Barros afirmou que o dinheiro da propina - aproximadamente R$ 40 mil - era rachado com os quatro vereadores.
No recurso apresentado ao TJ, Vedoato e Bergamin alegaram que o ex-vereador Henrique Barros se retratou das acusações ao apresentar à Comissão de Ética da Câmara uma carta, registrada em cartório, indicando que teria sido coagido quando fez as afirmações ao Gaeco. Além disso, ambos citaram risco de ''dano irreparável'' porque a Câmara terá um custo adicional com a convocação dos suplentes, e alegaram que a decisão do juiz Riechi Filho é fruto de conjecturas da promotoria pública.
Vedoato acrescentou que o ''afastamento até o encerramento da instrução equivale a uma morte civil'' e que está sofrendo com a ''execração pública, a humilhação e o isolamento''.
Nas decisões, a desembargadora rechaçou a questão ligada aos custos adicionais com os suplentes alegando que os danos não se referem aos acusados e disse que os ''fatos graves'' narrados pela promotoria ''subsidiam o afastamento provisório em caráter excepcional''. Sobre a retratação de Henrique Barros, ela declarou que se trata de assunto de mérito que será tratado apenas depois da apresentação das defesas prévias.
Mal-estar
Vedoato lamentou a decisão do TJ e reclamou que não foi ouvido durante a investigação - ele estava de férias na praia durante a investigação do Gaeco. De acordo com ele, ainda cabe recurso contra a decisão. ''Me sinto mal com isso, o menino (Henrique Barros) faz lá uma besteira e a gente tem que ficar respondendo por tudo. Parece uma caça às bruxas'', afirmou. O vereador Osvaldo Bergamin não retornou o contato da FOLHA.

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