TJ nega recurso a Carli Filho
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Rubens Chueire Jr. <br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná negou, na noite de quarta-feira, recursos interpostos pela defesa do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, para que o caso fosse encaminhado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a decisão do vice-presidente em exercício do TJ, desembargador Ivan Bortoleto, aceitou o recurso do Ministério Público (MP) do Paraná, para que seja mantido no processo informações sobre a alta velocidade e depoimentos sobre a embriaguez do motorista.
O ex-deputado se envolveu no acidente de trânsito que ocorreu no dia 7 de maio de 2009 causando a morte de Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos. Ele foi denunciado pelo MP por duplo homicídio com dolo eventual (quando não se tem a intenção de matar, mas assume-se o risco pelos atos). Tal qualificação permite que o ex-parlamentar vá a júri popular.
O entendimento da Justiça sobre o júri popular foi dado em janeiro do ano passado e a defesa recorreu em segunda instância ao TJ. Os desembargadores mantiveram a decisão e a realização do júri, mas houve novo recurso da defesa para que o caso fosse encaminhado para o STJ e ao STF, o que foi negado na quarta-feira.
''A defesa tentou desqualificar o dolo eventual mas a decisão do TJ foi positiva e estamos otimistas com a possibilidade do júri popular ser pautado entre o final deste ano ou até o primeiro semestre de 2013. É um momento importante porque a Justiça do Paraná reafirmou o que já tinha sido decidido em primeira e segunda instâncias. Obviamente a defesa vai recorrer, mas estamos confiantes'', afirmou o advogado da família Yared, Elias Mattar Assad.
Conforme informações do Instituto de Criminalística, Carli Filho estava alcoolizado e trafegava com velocidade entre 161 e 173 quilômetros por hora no momento da colisão com o carro das vítimas. Após o acidente, o ex-deputado renunciou ao cargo e passou a morar em Guarapuava, no Centro-Sul do Estado, onde cuida dos negócios da família.
A mãe de Gilmar, Christiane Yared, também demonstra confiança na proximidade de um júri popular. ''Esperamos muito tempo por isso e parece, a meu ver, que este momento está chegando. Sempre acreditamos na nossa luta e não somente nós, familiares, aguardamos uma resposta, mas toda a sociedade paranaense que acompanha o caso'', disse. Christiane fundou em junho de 2010 o Instituto Paz no Trânsito, que presta assessoria em autoescolas e ministra palestras em escolas e empresas.
Defesa
O advogado de defesa de Carli Filho, Gustavo Scanderli, informou que, no momento em que a decisão do TJ for publicada, eles vão recorrer ao STJ e ao STF, impetrando um agravo de instrumento. ''A decisão do TJ não julgou o mérito da questão. Apenas negou o encaminhamento do caso para o STJ e STF, então assim que for publicada a decisão, entraremos com o agravo nos dois tribunais superiores, e vamos aguardar os julgamentos'', explicou o advogado.


