O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), Sydney Zappa, negou na sexta-feira o pedido liminar de habeas-corpus impetrado pela defesa do servidor público municipal de Londrina João Edson Danzinger. O recurso foi protocolado no dia 12 de janeiro pelo advogado Marco Antônio Busto, mas a decisão só se tornou pública ontem. Busto estaria em Curitiba.
Danzinger foi preso anteontem pelo Grupo Águia da Polícia Militar, em cumprimento ao mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas. O mandado saiu no dia 4 de dezembro.
De acordo com o despacho do desembargador, a defesa invocou a ilegalidade do pedido de prisão preventiva alegando que não é competência da Justiça Estadual apreciar processos por lavagem de dinheiro. O processo será encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça para parecer e julgado pelo relator da 1ª Câmara Criminal, Tadeu Costa.
Ontem, o delegado do 2º Distrito Policial, José Arnaldo Perón Martins, disse que a cela improvisada em que Danzinger está detido não oferece segurança. Segundo o delegado, desde a interdição dos distritos policiais pelo juiz corregedor, Roberto Ferreira do Vale, duas salas anexas ao 2º DP foram adaptadas e transformadas em cela. ‘‘Existe a possibilidade de fuga e nós temos que trabalhar com ela’’, justificou.
O delegado-chefe interino, João Eduardo Carula, confirma a falta de segurança da cela. ‘‘Mas não há previsão de transferência desses presos. Todos os distritos estão lotados e interditados. Estamos aguardando vaga’’, afirmou.
Danzinger é acusado de fazer parte do esquema de desvio de R$ 120 mil da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), através de uma licitação fraudulenta. O cheque teria sido depositado na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra. O juiz corregedor também decretou a prisão do empresário e dono de uma casa de câmbio Alberto Youssef (preso no dia 4 de dezembro e libertado 18 dias depois), do cunhado do empresário, Eroni Miguel Peres e do segurança de Youssef, Antonio Carlos Neri Romero. Os dois continuam foragidos.
Segundo apurou o Ministério Público e a Polícia Federal, o grupo e outros seis ex-funcionários do Banestado, seriam os responsáveis por 32 contas fantasmas que teriam lavado cerca de R$ 150 milhões entre maio de 98 e janeiro de 99. O servidor também seria o proprietário das empresas JJ Representações Comerciais SC Ltda. e Danli Representações Comerciais, que teriam enviado ao exterior, cerca de R$ 6,5 milhões através de contas CC5.
Conforme a assessoria de comunicação da Prefeitura de Londrina, Danzinger solicitou, no final do ano passado, afastamento sem vencimentos. O pedido está sendo analisado pela procuradoria do município e pelo setor de recursos humanos. Segundo a prefeitura, Danzinger foi excluído da folha de pagamento neste mês.

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