Em decisão semelhante à concedida semana passada ao presidente da Câmara Municipal de Londrina, Sidney de Souza (PTB), o desembargador Rosene Arão de Cristo Pereira, da 5 Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), devolveu ontem ao plenário o vereador afastado Jamil Janene (PMDB). Assim como Souza, Jamil havia sido afastado no último dia 18 pelo juiz da 1 Vara Cível, Mauro Henrique Ticianelli, sob o argumento de que poderia atrapalhar a instrução do processo em que é investigado por suposta cobrança de propina contra o empresário Marcelo Caldarelli.
Além de Souza e Jamil, agora reintegrados, a decisão de primeira instância que atendeu parcialmente o pedido na ação civil pública por ato de improbidade ingressada pelo Ministério Público (MP) - uma vez que Gláudio Lima (PT) teve negado o afastamento - mantém afastados, sem prejuízo da remuneração, os vereadores Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Flávio Vedoato (PSC). Os ex-vereadores Orlando Bonilha e Henrique Barros (ambos sem partido) também são citados na denúncia, que corre tanto na Justiça cível quanto na criminal. Em depoimento à Justiça, Bonilha afirmou que todos os vereadores acusados pelo MP receberam propina de Caldarelli, o que eles negam.
Na decisão proferida ontem à tarde, o desembargador alegou que o afastamento é possível, ''mas só em casos excepcionalíssimos'', e a menos que o agente esteja de fato ''obstaculizando a instrução probatória''. Em relação a isso, sublinhou: ''Para se caracterizar referido requisito (...) não bastam meros indícios, mas sim, robustas provas de que o agente está valendo-se do cargo eletivo, destruindo as que existem e não permitindo a colheita de novas''. Em relação a Jamil, porém, o relator entendeu não haver provas suficientes dessa situação - por outro lado, pôs em cheque a verossimilhança do depoimento ao MP prestado por Bonilha, cujas palavras ''exalam odor de vingança política''. Citação idêntica fora feita no agravo que beneficiou o presidente do Legislativo, na última sexta.
Presente ontem na sala da assessoria de imprensa da Câmara - a exemplo da sessão de terça passada -, Tamarozzi disse aguardar para hoje a decisão do agravo ingressado pela defesa dele.
Jamil, por sua vez, reassumiu a vaga em plenário já durante a sessão, logo após a Casa ser notificada. Agradeceu o apoio de amigos, familiares e ''de todos os vereadores'' e concluiu: ''A pior coisa é ser acusado de quadrilheiro, de bandido, sem qualquer prova contrária - só pela fala de um ex-vereador. Quem me conhece sabe que sou um empresário bem sucedido; não colocaria meus sigilos bancário e telefônico à disposição dos promotores se fosse desonesto'', afirmou. Indagado se - ainda que reintegrado ontem pelo TJ, mas réu em ação criminal por formação de quadrilha - pretende tentar a reeleição em outubro, o vereador resumiu: ''Isso ainda vou ver com minha família e com o partido''.

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