O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná considerou improcedente a ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (sem partido). Na ação, o Ministério Público (MP) acusou o ex-prefeito de ter utilizado recursos públicos para o pagamento de dois vigias particulares que trabalharam na rádio de propriedade dele. O fato motivou a cassação do mandato de Barbosa Neto em 2012 pela Câmara de Vereadores. No entanto, o juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, considerou a ação improcedente por falta de provas. O MP recorreu, mas o TJ manteve a decisão favorável ao ex-prefeito e não deu seguimento à ação.
Os vigias trabalhavam na empresa Centronic, que mantinha contratos com a Prefeitura de Londrina e a rádio Brasil Sul, de propriedade de Barbosa Neto. Segundo a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, os dois profissionais que trabalharam na rádio teriam sido pagos com recursos públicos entre maio de 2009 e julho de 2010.
O advogado da rádio, Luiz Carlos Mendes, destacou que "além de manter a decisão anterior, o Tribunal de Justiça afirmou expressamente que inexistiu qualquer irregularidade no contrato firmado entre a rádio e a Centronic". "O TJ considerou a contratação legítima, regular e lícita; reconheceu que inexistiu qualquer espécie de prejuízo ao município de Londrina e que inexistiu qualquer ato de improbidade praticado pelo ex-prefeito", concluiu.

DIREITOS SUSPENSOS
Com o mandato cassado em julho de 2012, Barbosa Neto teve os direitos políticos suspensos até 2020. Mesmo com as decisões judiciais favoráveis ao ex-prefeito, a decisão política tomada pela Câmara de Vereadores não sofre alteração. "Quem é que paga o meu prejuízo? Fui cassado por uma mentira. Isso foi um verdadeiro golpe. Nunca vi alguém ser inocentado dessa forma. Já são quatro vitórias no Caso Centronic", exaltou Barbosa Neto.
Procurado pela reportagem, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, reafirmou apenas que as investigações comprovaram os prejuízos aos cofres do município. "Tenho plena convicção que os elementos probatórios são absolutamente suficientes para demonstrar que Barbosa Neto utilizou a estrutura pública para a segurança da rádio particular", garantiu. Ainda cabe recurso da decisão.
O ex-prefeito possui condenações na esfera cível por outros atos de improbidade administrativa que teriam sido praticados durante o mandato entre 2009 e 2012. As ações ainda estão em tramitação e não houve condenações em última instância. Barbosa Neto também responde a, pelo menos, quatro ações criminais por desvio de recursos públicos.

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