O advogado Alessandro Magno Martins, 37 anos, e o ex-conselheiro municipal de Saúde, Joel Tadeu Correa, 61, acusados de participação no esquema de desvio de dinheiro e corrupção na Saúde em Londrina, foram soltos ontem. Alessandro, por ser advogado, estava preso desde 16 de maio no Quartel do Corpo de Bombeiros; Joel ficou 51 dias no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina. A 2 Câmara do Tribunal de Justiça ao julgar o mérito de habeas corpus em favor dos dois, à unanimidade de votos, revogou a prisão preventiva decretada pela juíza da 3 Vara Criminal de Londrina a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Desde às 17 horas de ontem, familiares de Alessandro esperavam a soltura. Eles vieram de Bandeirantes, onde moram, para buscá-lo. O advogado saiu por volta de 19 horas, sem dar entrevista e escondendo o rosto sob um travesseiro. Seu advogado, Odair Buzato, disse que as irregularidades levantadas pela operação Antissepsia ''não envolvem o Alessandro''. ''O 'crime' que ele teria cometido foi ter emprestado R$ 45 mil para o Bruno. Ele recebeu um cheque de R$ 46,5 mil (como caução) e 16 dias depois, recebeu do Bruno R$ 32 mil. Depois disso o Bruno foi preso'', narrou. ''A acusação é de que esse dinheiro transferido por TED (transferência eletrônica) para a conta de uma empresa foi para cobrir um cheque do Bruno para a compra de veículo para presentear o Canguçu. O Alessando desconhecia a finalidade (do empréstimo). Ele nem conhecia o Canguçu'', afirmou Buzato. Antes de ser preso, Alessandro era funcionário do Tribunal de Contas do Estado, mas, com a decretação da prisão, foi demitido.
Joel Tadeu foi solto por volta de 17 horas. Segundo denúncia do MP, ele teria recebido R$ 45 mil de propina do Instituto Gálatas, já que teria feito lobby no Conselho Municipal de Saúde para a contratação do instituto. Seu advogado, André Salvador, que acompanhou a saída do ex-conselheiro, disse que seu cliente não teria poder algum para favorecer a contratação dos institutos, e que, se houve alguma falha, foi cometida pela administração, que é quem deveria ter fiscalizado as empresas envolvidas. ''Ele me afirmou que nunca participou de quadrilha alguma e negou que tivesse conhecimento de desvios.'' Salvador acrescentou que seu cliente afirmou ter sofrido bastante durante o tempo que ficou preso.
Quatro supostos envolvidos no esquema, desvendado pela operação Antissepsia, continuam presos: o ex-procurador jurídico do município, Fidélis Canguçu, os irmãos Antonio Carlos Martins e Flávio Martins, que eram contadores dos Institutos Gálatas e Atlântico, entidades das quais teriam sido desviados os recursos, e Juan Monastério, apontado como lobista. Havia expectativa de que habeas corpus em favor deles fossem julgados ontem, mas acabaram não entrando na pauta.

mockup