TJ e servidores mantêm impasse
Leandro Donatti
De Curitiba
A greve dos servidores do Poder Judiciário entra hoje no seu 12º dia sem perspectiva de negociação. A cúpula do Tribunal de Justiça e os líderes do Sindijus o sindicato que representa a categoria não chegaram ainda a um consenso. Antes de sentarem à mesa para decidirem se aceitam ou não negociar os 53,06% de reposição salarial, assegurado por decisão judicial, os servidores querem a garantia de que não terão seus salários descontados pelos dias não trabalhados. O presidente do Tribunal, desembargador Sydney Zappa, dava sinais ontem de que não abre mão da punição.
Hoje, os servidores fazem nova assembléia geral para decidir os rumos da mobilização. Alguns temem o desgaste que mais uma semana de paralisação pode representar. Outros manifestantes, entretanto, acham que o movimento tem ainda muito fôlego. Em 1993, em pleno governo Roberto Requião (PMDB), os servidores do Poder Judiciário fizeram greve salarial de 53 dias. O dia de ontem foi marcado por reuniões do comando de greve com alguns desembargadores em separado. Os líderes do movimento reclamam da inflexibilidade de Sydney Zappa, que, dias atrás propôs a redução do reajuste pleiteado.
Desde o início da briga por melhores salários, Zappa bate na tecla de que não depende dele o pagamento do reajuste reclamado, mas dos cofres do Poder Executivo. O governador Jaime Lerner (PFL), no entanto, também aderiu ao discurso de Zappa e repassou o problema anteontem, dizendo que não pretende se intrometer em assuntos de responsabilidade de outros poderes.
A Igreja Católica também trabalha para acalmar os ânimos no Poder Judiciário. O bispo auxiliar de Curitiba e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Ladislau Biernaski, já visitou o piquete dos servidores, em frente ao Palácio da Justiça, no Centro Cívico. Dom Ladislau conversou com o presidente do Tribunal de Alçada, Celso Rotoli de Macedo, que também atua como intermediador.
Durante a semana, os servidores do Judiciário divulgaram jornal da categoria com fotos da desastrosa ação policial que tentou tirar à força caminhão de som contratado pelo comando de greve para chamar os protestos. A edição tensionou ainda mais as negociações, até ontem aparentemente emperradas.





