O coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) em Londrina, promotor Jorge Barreto, confirmou à reportagem da FOLHA que o Tribunal de Justiça do Paraná julgou o mérito de recurso que pedia a manutenção do monitoramento eletrônico aos vereadores afastados Rony Alves (PTB), Mario Takahashi (PV) e outros réus da Operação ZR3. Segundo Barreto, o TJ determinou o retorno da medida cautelar também para os empresários Homero Wagner Fronja e José de Lima Castro Neto, além do ex-assessor de gabinete de Rony, Evandir Duarte de Aquino. A FOLHA não teve acesso ao despacho.

"Ainda não tive acesso (à ação), mas quando estava para vencer os primeiros 90 dias da medida, em abril, o MP se manifestou para prorrogação do prazo porque entendia que havia os requisitos que eram necessários para a manutenção da cautelar. Além do monitoramento, o comparecimento mensal ao juízo, a proibição de contato entre os réus. Em razão desta decisão que retirou o monitoramento, nós entramos com recurso e foi julgado agora o mérito", explica Barreto.

Agora a Justiça deve intimar todos os réus para que se apresentem no Creslon (Centro de Reintegração Social de Londrina) para receberem o dispositivo. Após a deflagração da operação, em janeiro, ao menos dez dos 13 investigados receberam a medida cautelar.

O advogado Anderson Mariano, defesa do vereador afastado Mario Takahashi, classifica de "temerária" a decisão e afirma que vai entrar com embargos infringentes para questionar a nulidade desta decisão. A reportagem não conseguiu o contato com o advogado Maurício Carneiro, defesa de Rony Alves.
A defesa de José de Lima Castro Neto informa que só irá se manifestar nos autos. O advogado João Maria Brandão, defesa de Evandir Duarte de Aquino, avalia que estes são trâmites normais dentro de um processo e afirma que vai recorrer.

Audiência

Está agendada para o dia 16 de outubro a primeira audiência de instrução do caso na Justiça Criminal, quando devem ser ouvidas 12 testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Barreto lembra que somente das defesas foram arroladas mais de 100 testemunhas.

ABSOLVIÇÃO
Apontados pelo Ministério Público como os líderes de organização criminosa que teria como objetivo a cobrança de propina e o direcionamento de projetos para aprovação de leis relacionadas à mudança de zoneamento urbano em Londrina, Mario Takahashi e Rony Alves foram absolvidos do processo de cassação de seus mandatos na Câmara Municipal no mês de setembro. A decisão política, porém, não evitou que os dois vereadores permaneçam afastados de suas funções, uma vez que a Justiça determinou o prorrogamento do afastamento até o final do ano, conforme havia solicitado o MP. Takahashi e Alves, no entanto, continuam recebendo seus salários.

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